BRASÍLIA - A Polícia Federal entregou o conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Inicialmente, Zanin havia ordenado à PF que os dados fossem remetidos ao gabinete neste domingo (13) até as 23h. O ministro Gilmar Mendes também enviou ofício à PF no mesmo sentido no domingo, assim como Moraes.
Em nota, a PF disse que entregou na manhã desta segunda (14) a cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro aos três ministros.
"As entregas foram realizadas em atendimento às solicitações encaminhadas à instituição, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis", diz a nota.
"A Polícia Federal esclarece que as cópias entregues são idênticas à extração realizada do aparelho. O material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital."
O posicionamento de Zanin e Gilmar Mendes foi mais um capítulo da crise sem precedentes dentro do STF, protagonizada pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. As investigações sobre o Banco Master são o pano de fundo das tensões.
No ofício no qual fez a determinação à PF, Zanin afirma que "não existe hierarquia entre os ministros do Supremo Tribunal Federal".
Antes, o ministro André Mendonça, também do STF, se posicionou contra a abertura da íntegra das informações do celular de Vorcaro — para ele, isso poderia tumultuar a sessão da próxima terça-feira (15), que vai julgar as mensagens entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Zanin, por sua vez, disse que o acesso ao conteúdo é imprescindível para que ele forme sua convicção para o julgamento de terça, "independentemente de outras implicações que o material possa indicar".
Na terça-feira, o plenário do STF deve analisar o relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro. O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra o ministro ou na anulação do documento que mostra diálogos entre ele e Vorcaro, conforme pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República), em 1º de setembro.
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