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Expansão da Capital

Jardim da Penha: a próxima grande virada de Vitória

Bairro nasceu de um planejamento urbano inteligente, com um desenho que bebeu na fonte das ideias modernistas e positivistas que influenciaram cidades como Belo Horizonte e Paris

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 14:44

Públicado em 

29 jul 2026 às 14:44
Renato Avelar

Colunista

Renato Avelar Renato Avelar

renatoavelar@remax.com.br

Avenida Fernando Ferrari e o bairro Jardim da Penha
Durante muitos anos, Jardim da Penha ficou praticamente congelado pelo Plano Diretor Urbano Fernando Madeira

Ao longo dos últimos meses, nesta coluna, percorremos um caminho interessante. Falamos sobre a força do Espírito Santo, o potencial do Sul do Estado, a revitalização do Centro de Vitória, a nova Orla de Camburi, o Cais das Artes e a cidade que cresce quando urbanismo, arquitetura e mercado imobiliário caminham na mesma direção.


Hoje quero convidar você a atravessar uma ponte: a ponte Ayrton Senna.


Bastam poucos minutos para sair da Praia do Canto e chegar a um dos bairros mais interessantes de Vitória, mas que, curiosamente, ainda passa despercebido por muita gente. O capixaba é naturalmente bairrista. E quem mora na Praia do Canto, talvez ainda mais. Existe uma tendência de acreditar que o melhor da cidade termina nas famosas quatro ruas daquele bairro extraordinário. E, de fato, a Praia do Canto é um dos lugares mais agradáveis do Brasil para se viver.


Mas Vitória nunca foi feita de um único bairro. Logo ao lado existe uma joia que começa a despertar.


Jardim da Penha nasceu de um planejamento urbano extremamente inteligente. Seu desenho, concebido ainda na década de 1950 por Creso Euclydes, bebeu na fonte das ideias modernistas e positivistas que influenciaram cidades como Belo Horizonte e Paris. O resultado foi um bairro pensado para as pessoas. Ruas largas, praças bem distribuídas, arborização generosa, comércio integrado ao cotidiano e uma escala urbana que continua extremamente agradável.


Aliás, poucos bairros conseguem reunir um comércio de rua tão forte quanto Jardim da Penha. Basta observar o entorno da antiga Praça do Santa Martha, hoje conhecida por muitos como Praça do BH. Ali estão alguns dos aluguéis comerciais mais valorizados da cidade, reflexo de um comércio vivo, diverso e permanente.


Durante muitos anos, porém, Jardim da Penha ficou praticamente congelado pelo Plano Diretor Urbano. A dificuldade para aprovação de novos empreendimentos reduziu drasticamente os lançamentos imobiliários. E existe uma regra simples no mercado. São os imóveis novos que puxam o valor dos usados.


Foi exatamente isso que aconteceu na Praia do Canto.


Como Jardim da Penha quase não recebeu novos edifícios, seus imóveis permaneceram relativamente estáveis. Não porque perderam qualidade, muito pelo contrário. Permaneceram estáveis porque faltou renovação da oferta.


Agora esse cenário começa a mudar.


Nossa ilha possui espaço cada vez mais escasso. Naturalmente, a cidade passa a olhar para áreas capazes de absorver uma nova dinâmica urbana. O triângulo formado pela avenida Dante Michelini, Eugênio Ramos e Saturnino Rangel Mauro ganha protagonismo. Soma-se a isso a revitalização da Orla do Canal de Camburi, uma intervenção urbana que já mostrou seu sucesso no trecho da Praia do Canto e que deverá produzir um efeito semelhante naquele lado da cidade.


A experiência urbana muda. E quando a cidade muda, o mercado acompanha.

Costumo dizer que o mercado imobiliário não cria tendências sozinho. Ele responde às transformações da cidade.


Há cerca de 12 anos gravei um episódio do Rolê Imobiliário fazendo uma previsão sobre uma região que, na época, poucos acreditavam. Recentemente revi aquele vídeo e percebi que a cidade confirmou exatamente aquele movimento.


Não foi sorte. Também não foi bola de cristal. Foi observação.


Quem trabalha diariamente com imóveis aprende que valor não nasce apenas do concreto. Ele nasce da mobilidade, dos espaços públicos bem cuidados, da qualidade urbana e da forma como as pessoas passam a ocupar a cidade.


Por isso faço aqui mais uma previsão. Acredito que Jardim da Penha será um dos bairros com maior potencial de valorização de Vitória nos próximos anos. Não apenas pelos edifícios que poderão surgir, mas principalmente pela qualidade de vida que sempre esteve ali e que agora começa a ser redescoberta.


Às vezes, a próxima grande oportunidade não está do outro lado do mapa. Ela está apenas do outro lado da ponte.

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Renato Avelar

Renato Avelar Renato Avelar

É corretor e empresário do setor imobiliário com mais de 35 anos de experiencia no mercado capixaba, gestor de empresas que integram a maior rede imobiliária do mundo.

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