O investigado que quebrou o celular ao ser abordado em operação realizada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) na manhã desta terça-feira (15) é réu em outra ação penal, onde é apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Além dele, outras três pessoas foram alvos da Operação Artlife, que leva o nome de um prédio na Praia do Morro, em Guarapari. Um dos apartamentos, cujo preço de comercialização pode variar até R$ 1,7 milhão, tem vinculação com uma das pessoas investigadas e foi indisponibilizado por decisão judicial.
A Justiça também determinou o bloqueio de recursos. Há informações de que uma mulher, que seria dona do imóvel, recebia repasses financeiros de outro integrante do grupo investigado.
O objetivo da operação é apurar indícios de lavagem de dinheiro relacionados à atuação de organização criminosa, com foco na identificação e no rastreamento de patrimônio, movimentações financeiras e circulação de valores em espécie.
Outro investigado é Rômulo Mendes Botan, conhecido como Romin ou R2, que foi preso e em abril deste ano se tornou réu em ação penal após o Juízo da 2ª Vara Criminal de Vila Velha aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). A mesma decisão o libertou, com o uso de tornozeleira eletrônica.
A acusação contra ele naquele processo veio após policiais militares encontrarem drogas no assoalho do seu carro durante patrulhamento realizado em Soteco, Vila Velha, no mês de março. Também foram à casa dele, no bairro Cocal, onde mais droga foi localizada e uma pistola, de uso restrito, com número de série raspado, mira laser acoplada, e carregador sobressalente.
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Foi dito na denúncia que ele seria um dos responsáveis pelo tráfico de drogas em
diversos bairros de Vila Velha, com foco na região de Boa Vista, atuando como gerente e
integrando organização criminosa PCV. E que utilizaria o um Chevrolet Tracker para a distribuição dos entorpecentes.
A defesa dele recorreu, pedindo a soltura, que foi concedida mediante o cumprimento das chamadas medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Durante a operação na manhã desta terça-feira (15), Botan foi localizado em uma rua do bairro Boa Vista I, Vila Velha/ES. Estava usando tornozeleira, sem habilitação, e com o mesmo carro que já tinha sido alvo de abordagem policial. Durante o cumprimento do mandado de busca, ele destruiu o celular.
O que diz a defesa
A defesa de Rômulo é realizada pelo advogado Fernando Pereira Magalhães. Ele relata que teve conhecimento da operação na manhã desta terça-feira (15), que foi ao local onde o seu cliente foi alvo de um mandado de busca na residência e veículo.
“Nada de ilícito foi encontrado e o meu cliente foi liberado após ser notificado de que deve comparecer ao Gaeco para prestar esclarecimentos”, disse Magalhães, acrescentando que na ocasião foi lavrado um auto de trânsito por Rômulo não possuir habilitação e estar dirigindo um veículo.
O advogado acrescentou que o processo tramita sob sigilo e que já pediu habilitação à 2ª Vara Criminal de Anchieta para ter acesso integral aos documentos e decisões.
A operação
A operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira (15) pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central).
Houve o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Guarapari, Vila Velha e Cariacica. Por meio de nota o MPES informou que foram realizadas buscas e apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos, que serão submetidos à análise pelas equipes responsáveis pela investigação.
Segundo o MP, as medidas que desencadearam a ação foram autorizadas pela Vara Criminal de Anchieta, responsável pelo Juízo das Garantias, e incluem também o bloqueio judicial de bens e valores no curso da investigação. E que as investigações prosseguem com a análise dos dados digitais e documentos apreendidos, além da realização de depoimentos e interrogatórios.
Além da atuação de dois promotores de Justiça do Gaeco, a ação contou com a participação de 37 policiais militares, com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e de equipes do Batalhão de Missões Especiais (BME), Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (CIOE) e Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do do Estado do Espírito Santo.
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