Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Casagrande quer “medidas extraordinárias” contra “risco de populismo”

"Momentos difíceis como este exigirão medidas extraordinárias. E quem se eleger senador ou deputado federal, se for pra lá com a mesma cabeça de dias normais, não vai dar uma boa contribuição para o Brasil"

Publicado em 15 de Setembro de 2026 às 05:00

Públicado em 

15 set 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sabatina CBN com Renato Casagrande, candidato ao Senado Federal
Sabatina CBN com Renato Casagrande, candidato ao Senado Federal Fernando Madeira

Candidato ao Senado, onde esteve por meio mandato, de 2007 a 2010, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) defendeu a tomada de “medidas excepcionais” pelos congressistas que serão eleitos em outubro para a próxima legislatura.


Para ele, os deputados federais e senadores que tomarem posse no Congresso em fevereiro do ano que vem terão de estar dispostos a chegar lá “com outra cabeça” e prontos para adotar medidas que extrapolam a normalidade – e que talvez não fossem adotadas em outras circunstâncias.


Casagrande defendeu um “pacto entre as instituições”, incluindo “cortes na carne” dos representantes dos três Poderes, a fim de evitar um agravamento ainda maior da crise institucional atravessada pelo país. Do contrário, segundo ele, o Brasil abrirá espaço para a ascensão do populismo.


“Nesse ambiente que eu estou propondo, se eu for senador, quero propor um pacto entre as instituições. É preciso que o Congresso Nacional, o Poder Judiciário e o Poder Executivo possam tomar medidas extraordinárias.” 

Momentos extraordinários, momentos difíceis como o que estamos vivendo, não se conciliam com medidas normais.

Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado

Em outras palavras: dias anormais reclamam medidas idem. Poderíamos puxar da memória a recente lembrança da pandemia – e Casagrande, como alguém que governou no auge da crise sanitária, pode ter tirado dela alguns ensinamentos. Ele exemplificou:


“É preciso reduzir o valor das emendas? Tem que reduzir o valor das emendas. Se for preciso mudar o comportamento do Poder Judiciário, tem que mudar. Então, é preciso a gente compreender que, no caminho que estamos indo, de enfraquecimento institucional, vamos abrir espaço para o populismo no Brasil.”


Casagrande deu as declarações nesta segunda-feira (14), na primeira da série de sabatinas promovidas por A Gazeta e CBN Vitória ao longo desta semana.


> Quer receber as publicações da Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui


Um adendo que eu faria é o seguinte: o Brasil já vive, desde o início deste século, sob o governo de presidentes marcadamente populistas, tanto de esquerda (Lula, por três mandatos) como de extrema-direita (Jair Bolsonaro, por um mandato).


Mas, de fato, um país com instituições democráticas fracas e desacreditadas por força dos erros de seus próprios representantes é campo fértil para a proliferação de governos e líderes populistas, e inclusive de algo pior: a ascensão ao poder de autocratas, sem real compromisso com a preservação da democracia, com o Estado de Direito e com os mesmos mecanismos que lhes permitiram ser eleitos pelas urnas em primeiro lugar.


Pior: um povo desprovido de esperança, descrente em seu próprio sistema político, à beira do desalento, tende a ser mais propenso a aceitar e se resignar com eventuais privações de liberdades individuais, restrições de direitos e garantias constitucionais, recrudescimento do autoritarismo. 

“Limites de despesas por cima”

Indagado sobre o que seriam as tais “medidas extraordinárias” defendidas por ele, Casagrande foi mais específico:


“Um entendimento do Congresso Nacional com o presidente da República e com o Poder Judiciário, para que a gente possa estabelecer limites de despesas por cima, para poder ter moral, ter credibilidade para poder tomar medidas de cortes de despesas por baixo. Nós temos hoje dificuldade de diminuir a taxa básica de juros porque o Brasil vive em permanente desequilíbrio fiscal e financeiro. Precisamos tomar medidas de fato de corte na carne por cima, pra poder ter moral pra tomar alguma medida que possa atingir a maioria da população”, argumentou o candidato do PSB.


“Então ou a gente recupera a credibilidade das instituições ou nós não teremos caminho. As pessoas estão sem esperança porque não sabem o caminho que vão seguir. Quando olham para um projeto, tem contaminação. Quando olham para o outro projeto, tem contaminação. Então é preciso que a gente possa tomar medidas extraordinárias.”

Momentos difíceis como este exigirão medidas extraordinárias. E quem se eleger senador ou deputado federal, se for pra lá com a mesma cabeça de dias normais, não vai dar uma boa contribuição para o Brasil.

Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado

Na avaliação de Casagrande, o papel do próximo presidente da República será muito importante nessa pacificação, mas ele destaca o papel a ser cumprido pelo Senado, que precisa, segundo ele, voltar a ser “a Casa da serenidade” e devolver ao país a “estabilidade institucional”.


“O papel do presidente é importante. Mas, além do presidente, é bom que a gente compreenda... Eu sei que é difícil a gente imaginar uma situação como esta. Mas a gente está vivendo um bate-cabeça institucional no Brasil que não aponta para nenhuma perspectiva de futuro. Então, ou a gente tem coragem de exercer mandatos de forma diferenciada, adotando medidas extraordinárias, ou vamos continuar enxugando gelo. E aí, a cada ano, o Brasil perde a oportunidade de achar o seu caminho.”


Na opinião do ex-governador, o Brasil está perdendo a chance de efetivamente prosperar, buscando o equilíbrio de suas contas públicas e relações institucionais maduras e respeitosas.


“Nós perdemos tudo isso. Perdemos o equilíbrio fiscal há muito tempo no Brasil. E estamos perdendo a capacidade de as instituições dialogarem. Hoje há uma contaminação das instituições com a polarização política. Então, ou a gente entra com a cabeça de quem quer buscar uma solução, e essa solução exige essas medidas extraordinárias, ou nós vamos ficar mais quatro anos aí com um novo presidente da República, ou com o mesmo presidente da República, vivendo uma crise que não tem fim.”

Supremo e emendas parlamentares

Casagrande fez esses comentários principalmente ao responder sobre a crise sem precedentes instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), com ministros colidindo, sobrepondo decisões monocráticas e disputando quem pode mais – tudo em meio a aplausos e apupos das respectivas torcidas políticas organizadas.


O ex-governador defendeu que o próprio STF abra as devidas investigações (inclusive contra seus ministros sob suspeição) e que, em caso de omissão da Corte, o Senado tome essa iniciativa, com a prerrogativa que tem de instaurar processos contra ministros do Supremo por suspeitas de crime de responsabilidade. No limite, tais processos podem culminar com a cassação (ou impeachment) de membros do tribunal.


“Neste momento, o que a gente assiste na Suprema Corte do Brasil é uma situação de muito baixo nível.”


Quanto às emendas dos congressistas ao Orçamento da União, admitindo que “a pasta saiu do tubo”, Casagrande reconhece que será difícil reduzir os valores ou revogar o direito adquirido pelos congressistas à execução impositiva das emendas, mas defende que haja, pelo menos, a criação de mecanismos que proporcionem maior transparência à alocação e à destinação dos recursos federais.


“A presidente Dilma foi impedida, sofreu o impeachment. Ela perdeu espaço e controle político no Congresso Nacional, liderança no Congresso Nacional. O presidente Michel Temer também. Sofreu denúncias, perdeu liderança no Congresso Nacional. O presidente Bolsonaro não tinha muita afeição pela política e colocou os partidos do Centrão para controlar a política. O presidente Lula chegou com um Congresso muito mais conservador, e ele numa outra posição política. E o Congresso nesse tempo alcançou o controle de quase 50% dos recursos de infraestrutura, nas emendas individuais, nas emendas de bancada, nas emendas de comissão...”, recapitulou Casagrande.


E concluiu:


“Eu defendo primeiro que a gente possa dar transparência no uso das emendas, porque não vamos conseguir voltar com essa realidade que nós tínhamos. Então, primeiro, transparência para não ter dúvidas na aplicação desses recursos. E, de fato, as emendas Pix são as emendas que precisam de mais transparência”.

Leia mais colunas de Vitor Vogas

Casagrande quer “medidas extraordinárias” contra “risco de populismo”

"Não" do TRE a Gilvan é pedagógico: doutrina da agressão gratuita não pode prosperar

Caso Gilvan: o dilema de Magno Malta e o risco político para o PL

A hora da verdade para Gilvan da Federal na Justiça Eleitoral

Sem um centavo na campanha, candidatos do PSD se rebelam e chapa desmorona de vez

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 15/09/2026
Robert Alexy, jurista
Alexy e os limites do poder de julgar
Congresso Nacional, em Brasília
Na gafieira, o Brasil segue o baile

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados