Um dos pontos que mais chamam a atenção no escolhido por Ricardo
Ferraço (MDB) como vice é sua baixa expressividade política. O vereador Camillo
Neves (PP), de Vitória, é pouquíssimo conhecido. E está longe de ser um homem
poderoso da política capixaba.
Mas, por mais paradoxal que isto possa soar, justamente a
baixa expressividade pode ter contribuído para Ricardo optar por ele e pode vir
a lhe convir após as eleições, tendo em vista a própria sucessão em 2030 (em
caso de vitória nas urnas em outubro).
Se renovar sua estadia no cargo, Ricardo irá para o segundo mandato
sucessivo como governador e não poderá disputar a reeleição em 2030. A roda do
Palácio Anchieta girará mais rápido. Isso faz com que muitos aliados graúdos de
Ricardo estejam, desde já, de olho no posto de candidato a governador da
situação, apoiado por ele, daqui a quatro anos.
Se Ricardo tivesse escolhido um vice muito popular e
poderoso – por exemplo, Sérgio Vidigal (PDT), como queriam muitos aliados –, isso poderia ter gerado grandes
arestas para ele mesmo na relação com aliados também muito poderosos.
Automaticamente, Vidigal assumiria um lugar privilegiado: o de
primeiro da fila.
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Ricardo poderia apoiar seu vice em 2030 – como Casagrande o
apoia agora. Aliás, Ricardo poderia até renunciar em abril de 2030 – para
buscar voltar ao Senado, por exemplo, assim como fez Casagrande. Nesse caso,
Vidigal assumiria e se tornaria governador, exatamente como ele mesmo se tornou
neste ano.
Enfim, Ricardo poderia reeditar com Vidigal, em quatro anos,
a dança que Casagrande protagonizou com ele agora.
Mas, se tivesse posto Vidigal na cara do gol, Ricardo
poderia ter contrariado muita gente de cujo apoio ele precisa muito agora
(Arnaldinho, Marcelo Santos, Da Vitória, entre outros).
Nesse sentido, a escolha de um vice politicamente mais
pálido favorece Ricardo, na medida em que facilita a sua relação com aliados
cascudos.
Em caso de vitória em outubro, durante seus próximos quatro anos de governo, a ausência de um “sucessor natural” manterá viva a expectativa de poder de todos eles, em iguais condições de disputa.
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