Em meio ao anúncio de seu candidato a vice-governador, Camillo Neves (PP) –
naturalmente, muito mais chamativo –, o governador Ricardo Ferraço (MDB) também
informou ao público, nesta terça-feira (4), os aliados escalados por ele para
exercer um papel mais que estratégico em sua jornada em busca da renovação do
mandato: o de coordenadores do seu plano de governo.
Os escolhidos foram o prefeito de Viana, Wanderson Bueno
(Podemos), que está em seu segundo mandato no Poder Executivo do município, e a
subsecretária estadual de Orçamento, Juliani Nunes.
O plano já está quase pronto e contou também com a colaboração
do secretário estadual de Planejamento, Álvaro Duboc, principal responsável
pelo plano de governo apresentado por Renato Casagrande (PSB), antecessor de Ricardo,
em suas campanhas ao Governo do Estado em 2018 e 2022.
Com Duboc, Juliani Nunes coordenou o modelo de gestão de
Casagrande ao longo do seu último governo e conhece todos os projetos e
programas assumidos por Ricardo em abril. Ela é auditora em finanças públicas.
Merece destaque, porém, a escolha de Wanderson Bueno para
responder pelo programa de governo do candidato – papel que não se encerra com
a protocolização do programa na Justiça Eleitoral, no dia 15 de agosto.
> Quer receber as publicações da
Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui
Durante a campanha, Wanderson vai ajudar Ricardo a apresentar
esse plano à sociedade. Terá voz ativa, por exemplo, nas reuniões com a equipe
de marketing, para ajudar a definir as maneiras de transmitir as propostas na
propaganda eleitoral do candidato.
Com apenas 38 anos (menos, por exemplo, que Pazolini e
Arnaldinho Borgo), Wanderson é um rosto jovem, prefeito da Grande Vitória,
evangélico (da Assembleia de Deus), testado e aprovado pelos munícipes como
gestor público, fenômeno de votos em sua reeleição em 2024 e filiado ao Podemos,
um dos mais importantes partidos da coligação governista e um dos primeiros a
apoiar publicamente a pré-candidatura de Ricardo.
Aliados o consideram muito bom, precisamente, na área de gestão
de projetos.
Wanderson nasceu para a vida pública no berço do deputado
federal Gilson Daniel, seu padrinho e mentor político no início de sua
trajetória.
Presidente estadual do Podemos há alguns anos, Gilson foi
prefeito de Viana por dois mandatos, de 2013 a 2020. Durante sua gestão,
Wanderson chefiou pastas importantes na prefeitura, com perfil mais técnico.
Na eleição municipal de 2020, Gilson escolheu o então
secretário para ser seu candidato à sucessão. Wanderson venceu com facilidade.
Na reeleição, em 2024, o prefeito foi recordista no Espírito
Santo, com 92,49% dos votos válidos em Viana.
Wanderson foi um dos primeiros prefeitos de peso a embarcar
na pré-candidatura de Ricardo. O mesmo pode ser dito do seu partido, o Podemos.
Já em abril do ano passado, ele e Gilson Daniel reuniram os prefeitos filiados
à legenda no Espírito Santo, num almoço em um sítio em Viana, para declararem
apoio a Ricardo.
O governador gosta muito de Wanderson e o tem prestigiado em
eventos públicos, desde que ainda era vice-governador.
Em dezembro do ano passado, durante a inauguração de um
galpão logístico em Viana, Ricardo disse que Wanderson fez uma “transformação”
na cidade e que o prefeito ainda contribuiria muito com ele… Foi profético.
Por reunir características consideradas importantes para a
composição da chapa de Ricardo, Wanderson chegou até a ser cotado, embora
remotamente, para ser o candidato a vice-governador do emedebista.
Ele dava check em quase todas as casinhas de
“companheiro de chapa ideal” para o atual governador: jovem prefeito de cidade
da Grande Vitória, com experiência comprovada em gestão pública, testado e
aprovado nas urnas, membro de um partido sócio do projeto e ainda por cima
evangélico (enquanto Ricardo tem 62 anos, vem do interior e é católico).
Para isso, porém, Wanderson precisaria ter renunciado ao
cargo de prefeito de Viana até o dia 4 de abril.
Era muito complicado abdicar de um mandato outorgado pela
população com quase três anos pela frente, sem as plenas garantias de que seria
mesmo o vice de Ricardo (pois a escolha final ficaria sujeita, pelos quatro
meses seguintes, a acordos e composições com outros aliados e forças
partidárias numa coligação bastante ampla).
Além disso, antecipar a definição do vice poderia ser ruim
para Ricardo, na medida em que poderia fechar portas muito antes da hora para
negociações partidárias.
O convite para ele ser vice jamais se concretizou. Mas, pouco
depois de Ricardo assumir o governo, foi-lhe feito o convite para coordenar a
elaboração do plano de governo, em parceria com Juliani Nunes.
É essa a missão de Wanderson Bueno na campanha, além de pedir
votos para Ricardo em Viana.
Leia mais colunas de Vitor Vogas