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Vitor Vogas

Meneguelli luta contra nova queda e põe tudo nas mãos de Renzo: “Não vai ter traição”

Em sua primeira tentativa de saltar rumo ao Senado, Sérgio Meneguelli foi derrubado, quicou no asfalto e caiu sentado numa cadeira na Assembleia Legislativa

Publicado em 04 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

04 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sérgio Meneguelli andando de skate
Sérgio Meneguelli andando de skate Reprodução Facebook

Em sua primeira tentativa de saltar rumo ao Senado, Sérgio Meneguelli foi derrubado, quicou no asfalto e caiu sentado numa cadeira na Assembleia Legislativa. Isso foi em 2022. Agora, em seu segundo salto, o risco de nova queda é grande. Mas, como a “Fadinha” Rayssa Leal, o deputado e ex-prefeito de Colatina desta vez quer se manter de pé.


Para isso, com a candidatura por um fio, Meneguelli põe tudo nas mãos de Renzo Vasconcelos, presidente estadual da sua sigla, o Partido Social Democrático (PSD).


“Não vai ter traição. O Renzo não vai fazer isso. A palavra traição, até onde conheço, não faz parte da vida e da história do Renzo”, disse ele à coluna na noite de segunda-feira (3).


Antes disso, ele postou em suas redes sociais um vídeo em que jogou ainda mais pressão sobre o prefeito de Colatina:


“Muitos caciques do Estado estão querendo impedir minha candidatura mais uma vez por uma 

coisa: porque eu estou pontuando bem nas pesquisas, porque eu tenho condições. Vocês sabem: essa novela já aconteceu quatro anos atrás. E alguns personagens parece que voltaram. Mas estou gravando esse vídeo pra dizer que a minha candidatura depende unicamente da assinatura do presidente do meu partido, que é o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos”.


Meneguelli refere-se ao fato de que caberá a Renzo assinar a ata da convenção estadual do PSD, marcada para a noite de quarta-feira (5), último dia do prazo legal, e cujo teor segue incerto até lá.


Em seguida, a edição do vídeo de Meneguelli corta para uma entrevista concedida há alguns meses por Renzo para a Rede Tribuna. “Sérgio será candidato ao que ele quiser. Isso foi garantido pelo presidente nacional e referendado por mim.”


Em 2022, após entrar no Republicanos, Meneguelli passou todo o período de pré-campanha como pré-candidato a senador. Mas, nos momentos decisivos, teve as pretensões barradas e a legenda negada pelo próprio partido, que lançou Erick Musso a senador. Restou-lhe se contentar em ser candidato à Assembleia.


Em março deste ano, ele trocou o Republicanos pelo PSD e mais uma vez fez uma escolha complicada, que se provou arriscada para ele mesmo. Não por falta de aviso, pode ter caído de novo em uma arapuca eleitoral.


O PSD é conduzido no Espírito Santo por Renzo Vasconcelos, aliado de Meneguelli e devedor político dele. Em 2024, a entrada do deputado e ex-prefeito nos últimos dias da campanha de Renzo foram determinantes para a vitória do filho de Pergentino Vasconcelos contra Guerino Balestrassi em Colatina.


De fato, como diz Meneguelli em seu vídeo, não foram poucas as entrevistas em que Renzo reiterou seu compromisso público de garantir a legenda para ele.


Ocorre que, nas últimas semanas, o PSD ficou à deriva no cenário político estadual...

PSD num mato sem cachorro

Em maio, Renzo declarou que ele e o partido apoiariam Lorenzo Pazolini para governador. Assim, o PSD indicava a intenção de se coligar com o Republicanos, sigla do ex-prefeito de Vitória.


Tudo mudou no dia 18 de julho, com o anúncio da aliança do PL com o Republicanos e do apoio de Magno Malta a Pazolini. Como parte desse acordo, uma das duas candidaturas ao Senado nessa mesma coligação foi assegurada a Maguinha Malta, com o apoio público já empenhado por Pazolini.


Quanto à segunda vaga, Magno impôs um veto à escalação de Meneguelli. Os dois são adversários políticos. Foi mais uma das condições do senador e presidente estadual do PL para fechar o apoio a Pazolini, formalizado em convenção no último sábado (1º).


A esta altura, é muito mais provável que a segunda vaga ao Senado na coligação de Pazolini e Magno fique com o deputado federal Evair de Melo, do Republicanos.


A situação do PSD nesse arranjo ficou tão ruim que, no dia 20 de julho, dois dias após a selagem do acordo do Republicanos com o PL, Renzo anunciou ao mercado político: o PSD não tinha posição fechada, dialogaria com todos os outros candidatos a governador e considerava ter tamanho até para lançar uma chapa majoritária própria no Espírito Santo.


No mesmo dia, Renzo explicou aqui que essa chapa pura (sem partidos aliados) poderia ter o ex-governador Paulo Hartung ao Governo do Estado e Meneguelli ao Senado.

Isso soou como blefe ou incompreensão do quadro. Desde o início, as chances de algo assim se concretizar eram altamente remotas.


Dois dias depois (22), a pedido, Renzo foi recebido por Ricardo Ferraço (MDB) e lhe requereu espaço em sua chapa majoritária (candidato a vice-governador e/ou a senador), para levar o PSD para a coligação do governador.


Ricardo ficou de levar a proposta para discussão no fórum de líderes partidários reunidos em sua composição. A ideia enfrentou imediata rejeição.


Estamos falando de um amplo rol de partidos já estabelecidos ali, com Ricardo, há muito tempo. Ninguém, a esta altura do processo, estaria disposto a abrir mão de nada para atender a um recém-chegado que estava “no outro lado” até outro dia, mas, contrariado, resolveu bater à porta do movimento governista.


Esse “ninguém” inclui a ex-senadora Rose de Freitas. Ocupando uma das duas candidaturas ao Senado na chapa de Ricardo (a outra é de Renato Casagrande), Rose foi enfática em dizer que não abriria mão do posto em benefício do PSD.


Rose não era o plano A nem o B de Ricardo e Casagrande para essa posição, mas acabou se firmando a partir de algumas desistências. E o fato é que nunca tergiversou. Sempre se mostrou absolutamente leal ao governo.


Na convenção do PSB, em um “auto de humildade”, a ex-senadora declarou que vai colocar o seu trabalho e os seus sapatos à disposição de Ricardo na campanha dele ao governo e que, se ela voltar ao Senado, carregará a pasta dele em Brasília.


Por fim, o PSD é o partido de Paulo Hartung. Esse simples fato, por si, dificulta qualquer acordo do grupo governista com o partido, pois o ex-governador é inimigo de Ricardo e Casagrande.


Na última segunda-feira (3), Hartung anunciou sua decisão de não concorrer a cargo algum nesta eleição. Para o grupo governista, segundo uma fonte palaciana, isso não muda em nada a situação em relação ao PSD..


A decisão de Hartung também põe por terra aquela ideia de lançar uma chapa majoritária puro-sangue, com o ex-governador e Meneguelli. 

Agora, quais são os três únicos caminhos que restam ao PSD?

O primeiro, bastante improvável, é uma composição com a frente governista, “encaixando” Meneguelli no lugar de Rose. Mas, pelos fatores já expostos, é mesmo muito difícil.


O segundo é Renzo respirar fundo e voltar para a coligação de Pazolini, com o Republicanos e o PL. Nesse caso, voltará menor do que partiu. Poderá ainda tentar emplacar a própria esposa, a médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina, como candidata a vice-governadora.


Mas isso não resolve sua questão com Meneguelli. Hoje, se Renzo levar o PSD de volta para esse grupo, a pré-candidatura do ex-prefeito de Colatina explodirá de vez.


O terceiro é o PSD bancar e registrar uma chapa isolada apenas com a candidatura de Meneguelli ao Senado (contra tudo e contra todos). Nesse caso, Lívia Vasconcelos não será candidata a vice-governadora, já que a chapa não terá um candidato a governador...

“Bateção de cabeça” no PSD

Seja como for, o que parece neste momento é que o PSD se vê à deriva no Espírito Santo, vivendo dias de “bateção de cabeça” e “agora é cada um por si”.


Fortes indícios disso foram dados em dois momentos na última segunda-feira.


No início da tarde, falando com esta coluna, o próprio Renzo deu uma interpretação própria e muito peculiar à nota de Hartung. Disse que o ex-governador tanto poderia ser candidato como não ser, que poderia ser candidato a tudo ou a nada...


A redação da nota realmente é ambígua, mas até a assessoria de Hartung confirmou o seu sentido: ele não será candidato a nada.


Já no início da noite, o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que chegou a ser cotado para ser vice de Pazolini, criticou publicamente a condução de Renzo, em declarações à coluna de Letícia Gonçalves. Disse que ninguém consegue falar com o prefeito de Colatina, que ele não dá segurança para ninguém ser candidato e ameaçou: se o PSD não ficar com Pazolini, ele sai da agremiação.


É no meio desse imbróglio que, hoje, Meneguelli se debate. 

Para não perder a brincadeira: Fadinha e Peter Pan

Meio maldosamente, Meneguelli é chamado por alguns agentes políticos de Peter Pan (por ser um homem idoso com muitos procedimentos estéticos e que busca aparentar ser bem mais jovem).


Para se manter de pé neste páreo, ele precisa se inspirar em outra “Fadinha”, não na Sininho do Peter Pan... 

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Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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