Presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB),
Alberto Gavini é parceiro político de Renato Casagrande há décadas. Com a autoridade
de dirigente máximo do PSB no Espírito Santo, ele afirma, na entrevista abaixo à
coluna: para o Senado, filiados à sigla poderão votar em Casagrande e Rose de
Freitas (MDB)... ou em Casagrande e Fabiano Contarato (PT).
O PSB está na coligação do MDB, “Agora é o Futuro”, que tem
como candidato a governador o atual ocupante do cargo, Ricardo Ferraço (MDB).
Os dois candidatos ao Senado da mesma coligação são Casagrande e Rose.
Enquanto isso, a direção estadual do PT já anunciou apoio
informal a Casagrande como segundo candidato a senador. No Estado, o partido de
Lula está em outro palanque e só lançou Contarato ao Senado.
Setores do PT trabalham por uma dobradinha informal com Casagrande
e querem reciprocidade. Parte da militância do PSB também prefere a dobradinha
com Contarato, apoiando informalmente o senador petista como segunda opção de
voto (no lugar de Rose).
Elucidativa, a entrevista de Alberto Gavini deixa claro que
filiados podem mesmo fazer isso, sem problema algum. Da parte da direção estadual do
PSB, explica, não há nenhum “estímulo”, mas não haverá “reprimenda”, e sim “respeito” a
quem fizer a opção pessoal de seguir com Casagrande e Contarato.
Confira!
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Os filiados ao
PSB no Espírito Santo podem votar em Fabiano Contarato, como segundo candidato
ao Senado?
O PSB está
na coligação com o MDB e respeita, efetivamente, a coligação. Todo o material
do nosso pessoal vai sair com o Renato e com a Rose. Mas nós deixamos que os
diretórios municipais possam tomar suas decisões em relação ao Contarato. Não
há nenhum obstáculo se alguém do PSB tiver alguma outra posição. Demos certa
liberdade para os nossos diretórios se posicionarem. Formalmente, a Executiva
Estadual respeita e acata a decisão da coligação. Toda a nossa filmagem, todo o
nosso material, toda a televisão vai ter lá o nome de Ricardo, de Renato e de Rose.
Mas também deixamos o nosso pessoal com uma certa liberdade. Aquele que
entender que tem essa possibilidade de apoiar [Contarato], nós não vamos criar
problemas, até porque nós temos o vice-presidente da República [Geraldo Alckmin], o candidato a
vice-presidente do Lula, então ficaria muito complicado se eles colocassem
algum tipo de situação constrangedora para o nosso pessoal.
Quando o senhor
fala em “nosso pessoal”, está se referindo à militância do partido? Não só aos
diretórios municipais e respectivos dirigentes, mas qualquer filiado?
O PSB
como um todo vai poder se posicionar, por força da situação nacional. Não tem como
ser de outra maneira. Agora, todo mundo tem que saber que, formalmente, a
coligação é Renato e Rose. Nós temos que respeitar isso em todos os materiais.
Vou lhe dar um
exemplo prático. Vamos supor que eu seja filiado ao PSB aqui no Espírito Santo.
Aí eu chego para você e lhe digo “olha, Gavini, você me desculpe, eu sei que
oficialmente nossa segunda candidata é a Rose, mas eu, pessoalmente, tenho
preferência pelo Contarato, até pela aliança nacional, acho que ajuda mais o
Lula e o Alckmin etc. E, portanto, vou fazer campanha e pedir votos para Casagrande e para
Contarato”. Eu tenho esse direito?
Cada
cidadão tem o direito de tomar a decisão que quiser tomar, independentemente de
ser do PSB ou não. Se a pessoa já se definiu como eleitora de Contarato, eu não
posso brigar com ela nem tomar uma atitude com relação a isso, porque é uma
decisão pessoal. O voto é democrático. Volto a reforçar que o PSB, enquanto
material, enquanto coligação formal, vai respeitar isso. Agora, individualmente,
as pessoas tomem a iniciativa e a decisão que quiserem tomar, porque estamos
num país democrático.
Significa que a
militância está liberada? Eu posso dizer isso?
De certa
forma, sim. Não vai haver uma reprimenda pela direção nacional nem pela direção
estadual. Mas nós temos orientado que todos possam seguir a orientação formal,
que é respeitar a coligação. Se a companheirada entender e quiser tomar outra
posição, aí é individual, né? Não é que eu esteja liberando. É uma decisão
individual. O PSB estadual não está liberando nem estimulando isso. O PSB
estadual está respeitando a decisão das pessoas. Da minha parte e da Executiva
Estadual, não existe nenhuma orientação que não seja a formalidade. Agora, nós
vamos respeitar a decisão dos companheiros que não quiserem seguir a
formalidade. Não tem uma liberação formal da Executiva
para isso. Mas existe um respeito pela decisão dos companheiros. É assim que
tem que ser o texto.
E essa “certa
liberdade” e esse respeito pelas decisões individuais só valem para quem quiser
votar em Contarato ou também para os demais? Se eu sou do PSB e quero
votar, sei lá, na Maguinha ou no Evair de Melo, terei o mesmo respeito?
Não. Isto é, o respeito, tem. Cada um toma a sua decisão. Mas nossos filiados sabem da nossa
posição filosófica e política. Nós somos um partido de centro-esquerda.
Contarato é um cara de esquerda. Está num partido de esquerda. Então, há um entendimento
nosso nesse sentido. Não há um entendimento se a pessoa optar por uma
candidatura de direita ou de extrema-direita. Aí, não... Hoje, a nossa linha de
pensamento é que, se a pessoa quiser tomar uma decisão, que tome uma decisão mais
alinhada ao que pensa que o partido. Contarato é uma posição mais alinhada ao que
pensa o partido do que esses que você citou aí de exemplo.
Resumidamente, o
filiado ao PSB no Espírito Santo pode votar em Casagrande, Rose ou Contarato. É
isso?
É isso.
De certa forma, é isso.
E o senhor,
pessoalmente?
(Risadas)
Qual é sua preferência?
Renato Casagrande!
E o segundo voto?
Como presidente, institucionalmente, eu
tenho que respeitar a decisão formal. Tenho que orientar e tenho que dar o
exemplo, né?
Mas o senhor pode revelar de quem é o seu segundo voto ao Senado?
Não vou revelar nem o primeiro voto. O
voto é secreto, como é que vou revelar?
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