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Vitor Vogas

Quem é o eleitor padrão de Ricardo, de Pazolini e de Helder, com base na pesquisa Quaest

Em quais nichos cada um se sai melhor? Segmentando as respostas dos entrevistados pelos critérios de sexo, idade, escolaridade, renda, etnia e religião, chegamos ao “típico eleitor” de cada um dos três principais candidatos a governador

Publicado em 29 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

29 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Da esquerda para a direita: Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão em corpo a corpo com eleitores
Da esquerda para a direita: Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão em corpo a corpo com eleitores Fotomontagem (Reprodução do Facebook)

O cruzamento de dados da última pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta fornece um manancial de dados relevantes. Estratificando as respostas dos entrevistados pelos critérios de idade, escolaridade, renda, etnia, religião e identificação política, podemos chegar ao “eleitor padrão” de cada um dos três principais candidatos ao Governo do Espírito Santo: Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT).


É como “montar o personagem” que vota em cada um, juntando cada peça do quebra-cabeça. Para isso, levamos em conta, em cada critério, qual é o estrato no qual o candidato obtém seus melhores resultados na intenção estimulada de voto. O resultado é o seguinte:


O eleitor mediano de Ricardo é um homem idoso, com ensino fundamental completo, branco ou pardo, seguidor do catolicismo. Politicamente independente, de esquerda não lulista ou lulista.


O eleito padrão de Pazolini é um homem branco de meia idade, com ensino médio ou superior completo, renda acima de dois salários mínimos, evangélico e bolsonarista.


O típico eleitor de Helder é um homem ou mulher idosa e preta, com ensino superior completo, renda de até dois salários mínimos, católica e lulista.

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No cômputo geral, considerando os 804 entrevistados pela Quaest de 23 a 26 de agosto, Ricardo lidera o cenário estimulado, com 35% das intenções de voto, seguido por Pazolini (28%) e Helder (10%). 

Resultados por faixa etária

Na segmentação por faixa etária, um primeiro dado que chama fortemente a atenção é o absoluto predomínio de Ricardo entre os eleitores com 60 anos ou mais. Nessa faixa etária, o atual governador reina, com 56% das intenções de voto, contra só 19% de Pazolini e 14% de Helder.


Entre os mais jovens (de 16 a 34 anos) e os de meia idade (de 35 a 59 anos), Ricardo e Pazolini estão tecnicamente empatados.


A conclusão é importantíssima: hoje, quem está dando a vitória a Ricardo é o eleitorado mais velho.


Pazolini, por sua vez, tem seu melhor desempenho entre os eleitores de meia idade: 34%. Nesse estrato, embora haja empate técnico, o ex-prefeito está à frente do ex-governador, preferido por 31%.


Já Helder, assim como Ricardo, atinge sua melhor marca entre os 60+, com 14%. 

Sexo

Na categoria “sexo” (termo usado pela Quaest), não há grande diferença nos resultados de Ricardo e Helder.


No caso de Pazolini, ele se sai ligeiramente melhor entre os homens, com 31% das menções. Entre mulheres, sua preferência fica em 25%.


Vale frisar que a vantagem de Ricardo sobre Pazolini é maior entre as eleitoras: 33% para ele contra os 25% do ex-prefeito, ou seja, 8 pontos de diferença.


Já entre os homens, a diferença é de 5 pontos: 36% para Ricardo, contra 31% de Pazolini. 

Escolaridade

No recorte por grau de instrução formal, Ricardo atinge sua melhor marca entre os menos escolarizados: hoje, ele tem 40% entre os que só completaram o fundamental. Nesse estrato, o governador derrota Pazolini com margem confortável, de 16 pontos, já que o ex-prefeito só alcança 24%.


Já entre os que têm ensino médio e os que têm diploma universitário, a disputa é acirradíssima, com os dois candidatos tecnicamente empatados no primeiro caso (32% para Ricardo e 30% para Pazolini) e numericamente empatados no segundo (ambos com 32%).


Pazolini atinge seus melhores resultados nesses dois segmentos.


No caso de Helder, os resultados são muito lineares. Mas sua melhor marca se observa entre os eleitores com ensino superior: 13%. 

Renda 

Na estratificação por renda, não há muita variação para Ricardo: nas três faixas de poder aquisitivo, seus resultados oscilam de 33% a 38%. O melhor índice é obtido entre os que ganham mais de cinco salários mínimos.


No caso de Helder, também há pouca diferença: ele vai de 8% a 13% (melhor índice entre quem ganha até dois salários mínimo).


No caso de Pazolini, sim, observa-se uma clara diferença: ele nitidamente se sai melhor entre quem tem renda mais elevada, ou seja, quanto maior a renda do entrevistado, melhor performa o ex-prefeito.


No grupo até dois salários mínimos, Pazolini só obtém 18%. Mas, na faixa de dois a cinco salários, ele salta para 31%, chegando a 33% na faixa acima de cinco salários. 

Cor/raça

No recorte étnico, Ricardo é mais votado por brancos (35%) e pardos (38%) do que por pretos (23%).


Com Helder, observa-se o contrário: ele é mais votado por pretos (18%) do que por brancos (9%) e pardos (9%).


Já no caso de Pazolini, a coisa é bem equânime: nas três categorias, seu índice varia de 26% a 31%. 

Religião

Aqui há uma nítida inversão entre Ricardo, o preferido dos católicos, e Pazolini, o dos evangélicos.


Entre quem professa o catolicismo, o atual governador tem 42% da preferência, contra 24% de Pazolini. São 18 pontos de vantagem.


Por outro lado, entre os que seguem religiões de matriz evangélica, Pazolini leva vantagem, embora por margem menos larga: 37% para o ex-prefeito contra 28% do atual governador – uma diferença de 9 pontos.


Helder tem seu melhor resultado entre católicos (9%). Entre evangélicos, só chega a 5%. 

SEGUNDO TURNO

A Quest também testou os três possíveis cenários de 2º turno. Ricardo é quem sai na frente. Se a eleição fosse hoje, ele venceria seus dois adversários.


Contra Pazolini, o governador tem vantagem de 10 pontos: 45% a 35%.


Contra Helder, sua vantagem é de 38 pontos: 55% a 17%.


Num 2º turno entre Pazolini e Helder, o primeiro levaria a melhor: o ex-prefeito derrotaria o deputado por 53% a 19%. São 34 pontos de vantagem.


O instituto também segmentou os esses resultados de acordo com os mesmos critérios.


Vale a pena destacar algumas das constatações. 

Sexo 

No 2º turno entre Ricardo e Pazolini, o sexo dos entrevistados faz pouca diferença. Entre mulheres, a vantagem do governador é de 12 pontos (44% a 32%). Entre homens, é de 9 pontos (47% a 38%). 

Faixa etária

A idade, sim, mais uma vez, desempenha grande influência. Confirmando a predileção de Ricardo entre os idosos – e o quanto esse segmento se mostra decisivo em sua vantagem no momento –, o governador atinge o pico de 62% entre os eleitores acima de 60 anos, no confronto direto com Pazolini. São simplesmente 37 pontos de vantagem sobre o ex-prefeito, que só obtém 25%.

Entre os eleitores de meia idade, há um empate técnico; entre os mais jovens, pequena vantagem para Ricardo. 

Também aqui, quem está garantindo a vitória para Ricardo são os eleitores mais velhos.

Escolaridade

Novamente se prova a preferência e a vantagem de Ricardo entre quem tem só o ensino fundamental. Nesse nicho, ele derrota Pazolini por 15 pontos: 47% a 32%.

Nos outros dois estratos (ensino médio e superior), o governador também bate o ex-prefeito, mas por diferenças menores. A rigor, entre os que têm o ensino médio, eles estão tecnicamente empatados. 

Renda

Curiosamente, no confronto direto com Ricardo, Pazolini se sai melhor entre quem tem renda média (de 2 a 5 salários mínimos). Aí os dois empatam tecnicamente.

Mas Ricardo ganha com folga entre os que recebem mais de cinco salários mínimos (52% a 38%) e, principalmente, na faixa de menor renda, onde sua vantagem chega a 17 pontos: 45% a 28%. 

Cor/raça

Esse quesito influi muito pouco no resultado. Entre brancos, pardos e pretos, a vantagem de Ricardo sobre Pazolini fica estável, entre 9 e 12 pontos percentuais. 

Religião

A religião, sim, é um fator que exerce grande influência. Entre todos os segmentos, de todas as categorias, o eleitorado evangélico é o único em que Pazolini vence Ricardo no 2º turno, fora da margem de erro. Entre evangélicos, o ex-prefeito chega a 43%, oito pontos à frente de Ricardo, que tem 35%.

Em compensação, entre os católicos, Ricardo “sobra”, com vantagem de 25 pontos: 53% a 28%. 

AVALIAÇÃO DO GOVERNO DE RICARDO

Por fim, a avaliação do governo de Ricardo Ferraço, inaugurado em abril, reforça o quanto ele se sai melhor entre idosos.

No resultado geral, 56% dos entrevistados disseram aprovar o governo do sucessor de Casagrande, enquanto só 13% o desaprovam. Por outro lado, a pesquisa também revela um grande desconhecimento quanto ao governo de Ricardo, já que 31% não souberam responder.


Os melhores índices de aprovação do governador, superando sua média, são obtidos por ele junto aos eleitores 60+ (64%), católicos (63%), com ensino fundamental (60%) e com renda superior a 5 salários mínimos (58%).


Isso corrobora aquele perfil do “eleitor padrão” do emedebista, traçado no início deste texto. 

E a identificação política???

O leitor ou leitora há de ter notado: aqui, nesta análise, não incluímos o detalhamento da categoria “identificação política”.


É que os resultados nesse quesito são tão surpreendentes, mas tão surpreendentes, que merecem uma análise à parte.


Será o tema de nossa próxima publicação. 

Eleições 2026

Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada entre os dias 23 e 26 de agosto, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem, utilizando questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções da população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-04444/2026.

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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