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Vitor Vogas

Quem é o argentino por trás da campanha de Casagrande ao Senado

Antigo colaborador de Casagrande, em parceria com o jornalista Victor Carvalho, Diego Brandy responde pela condução do marketing político da campanha dele ao Senado, lançada no sábado (25). Conheça aqui seu perfil

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 09:59

Públicado em 

29 jul 2026 às 09:59
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Diego Brandy, Renato Casagrande e Victor Carvalho
Diego Brandy, Renato Casagrande e Victor Carvalho Divulgação

Em 1986, no mundial do México, Don Diego Armando Maradona “ganhou a Copa do Mundo sozinho”, conduzindo a triunfante campanha da seleção argentina, com direito a gol de placa e gol de mão contra a Inglaterra. Hoje, um xará e compatriota de Maradona é quem conduz (mas certamente não sozinho) a campanha de Renato Casagrande (PSB) ao Senado no Espírito Santo.

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O xará menos famoso del Pibe de Oro atende por Diego Brandy. Discreto como convém a um marqueteiro, ele aparece pouquíssimo e evita chamar a atenção para si. Mas atua intensamente nos bastidores das campanhas do ex-governador, com quem agora reedita a parceria.


No último sábado (25), durante a convenção estadual do PSB, Brandy observou de perto o evento (no qual foram lançados o jingle e a identidade visual da campanha), o discurso de Casagrande (no qual este lançou sua plataforma ao Senado) e a entrevista coletiva na sequência. “Gostou do jingle?”, quis saber do colunista, em breve troca de palavras, já medindo a recepção das peças publicitárias.


Com 63 anos e formação em Sociologia, o argentino é um antigo colaborador de Casagrande e do partido dele, o PSB. Formando uma exitosa dupla com o jornalista pernambucano Victor Carvalho, participou das três campanhas vitoriosas de Casagrande a governador do Espírito Santo, em 2010, 2018 e 2022. Hoje, divide sua residência entre Bueno Aires e Recife, onde fica sediada sua empresa de consultoria em comunicação e estratégia política, chamada Farol.


Mas seu trabalho com marketing político teve início por outro viés. Em 1988 (dois anos após o milagre de Maradona no México), ele começou a trabalhar em campanhas eleitorais na Argentina como chefe de um instituto de pesquisas.  


No ano 2000, ainda como sociólogo, passou a trabalhar em campanhas no Brasil, a convite de dois grandes marqueteiros brasileiros que começaram a atuar na Argentina na década de 1990 (ambos baianos): Duda Mendonça e João Santana.


Em 2002, montou um instituto em Salvador e em 2006 transferiu sua base para Recife, acompanhando a ascendente trajetória política de Eduardo Campos. Formou uma sólida parceria com o então maior líder nacional do PSB, de quem chegou a ser considerado o “guru”. 


Em 2006, Campos elegeu-se governador de Pernambuco. Quatro anos depois, foi reeleito com folga.


Depois de 2010, Brandy foi se afastando da área de pesquisas e passou a concentrar seu trabalho nas áreas de estratégia de comunicação e marketing político.


Em 2014, com ótimos índices de aprovação, Campos renunciou para se candidatar à Presidência da República. Brandy foi o coordenador da comunicação da campanha até a trágica morte do candidato, em um desastre aéreo, em agosto daquele ano.


Após a morte de Campos, o marqueteiro argentino passou a colaborar mais com Casagrande, a quem conheceu nos círculos do PSB.


Logo após a vitória eleitoral no 2º turno, contra Carlos Manato (então no PL), em 2022, Brandy me respondeu quais foram, em sua avaliação, as chaves para o bom resultado. Ele preferiu exaltar a qualidade do seu candidato.


“Sem dúvida o grande diferencial que definiu foi a qualidade do candidato, tanto pela capacidade de gestão como de articulação política. Foi essa qualidade que permitiu enfrentar as ‘condições meteorológicas adversas’ da força do bolsonarismo no estado e o que levou ao resultado de ser o único governador da base de Lula que ganhou no Sul e Sudeste do país.”


Na ocasião, Brandy reconheceu que a campanha esperava um triunfo no 1º turno e foi surpreendida pela chegada de Manato ao 2º turno, não por terem subestimado o adversário ou a força do bolsonarismo, mas porque, até “o voto descer na urna”, as pesquisas internas e publicadas na imprensa vinham indicando uma influência menor da disputa nacional na tomada de decisão do eleitor do Espírito Santo.


“Podem ter existido erros. Mais táticos que estratégicos. Campanha normalmente é assim: ganha quem erra menos. Um deles pode ter sido não entrar respondendo aos ataques dos adversários no primeiro turno. Mas, como nenhuma pesquisa mostrava um cenário de a eleição ir para o segundo turno, também era difícil tomar a decisão de revidar ataques e ‘esquentar’ a eleição.”


Foi exatamente o que fizeram dali em diante. Já nos primeiros dias do 2º turno, houve uma “virada de chave”. A campanha prontamente percebeu que era preciso apresentar ao eleitor a vida pública pregressa de Manato, pois grande parte na verdade desconhecia o adversário e sua história – incluindo o fato de ele ter sido membro associado da Scuderie Le Cocq (com direito a carteirinha de sócio) e suas ligações com a greve da PMES em fevereiro de 2017.


Brandy faz questão de dividir os créditos com seu parceiro de trabalho, Victor Carvalho, que também esteve no time de Casagrande nas campanhas de 2018 e 2022. Para se ter uma ideia da importância do jornalista pernambucano, ele foi o único assessor que ficou no estúdio com o então governador no debate final da TV Gazeta em 2022 (evento também decisivo no resultado eleitoral dias depois).


“Vencemos uma eleição das mais complexas no Espírito Santo, derrotando um adversário bolsonarista, em um estado onde o ex-presidente ganhou com folga”, avaliou Carvalho, à época.


No Espírito Santo, Bolsonaro derrotou Lula com 58% dos votos válidos no 2º turno. No mesmo dia, para governador, Manato não chegou a 47%. “Conseguimos segurar a onda conservadora, apesar de sua força”, disse, então, o jornalista pernambucano.

Em 2024, os dois fizeram juntos a campanha de Adriane Lopes (PP), eleita prefeita de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. 

Premiação

Pelo trabalho na campanha de Casagrande em 2022, Brandy e Carvalho foram laureados em 2023, em Las Vegas, em uma das concorridas categorias do tradicionalíssimo Reed Awards, uma das mais importantes premiações da indústria da comunicação política e eleitoral dos Estados Unidos (e do mundo).


O prêmio pode ser considerado o Oscar do marketing eleitoral norte-americano.


O argentino e o pernambucano venceram na categoria Toughest Latin American TV Ad, que pode ser traduzida como a propaganda de TV mais “dura” na América Latina, no sentido de ir para o ataque contra o adversário eleitoral.


A peça em questão, que rendeu a indicação e o prêmio à dupla, chama-se “Greve”. Foi a inserção veiculada na reta final do 2º turno, associando Manato à greve da PMES em fevereiro de 2017, evento até hoje traumático para o povo capixaba.


Os dois também foram indicados na categoria Best International Campaign (Sub-National) – Political – em livre tradução, melhor campanha política internacional (subnacional, ou regional). Mas não levaram essa.


Após o inesperado revés que foi o avanço de Manato ao 2º turno, a campanha precisou se reinventar, emergencialmente, e acabou se tornando um case no Brasil, por ter alcançado um feito único:


Das 14 unidades federadas em que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) derrotou Lula (PT) na disputa presidencial (entre as quais o Espírito Santo), Casagrande foi o único governador eleito por um partido de esquerda, com perfil declaradamente progressista, apoiador declarado de Lula e com o PT em sua coligação. Ninguém mais conseguiu isso.


Dito de outro modo: foi o único candidato a governador do campo progressista eleito em um reduto bolsonarista. E derrotando o candidato de Bolsonaro.


Sem renegar suas origens nem esconder o apoio de petistas e de outros aliados de esquerda (muitos deles exibidos em destaque em sua propaganda eleitoral), Casagrande ao mesmo tempo incorporou o voto “Casanaro” e pôs em primeiro plano aliados declaradamente bolsonaristas e outros sabidamente de direita, como seu parceiro de chapa, o agora governador Ricardo Ferraço (então no PSDB, agora no MDB).


Foi um mix improvável que demandou um equilíbrio delicado e que de algum modo deu certo.


No dia 30 de outubro
de 2022, Casagrande derrotou Manato com pouco mais de 53% dos votos válidos e uma frente relativamente confortável de quase 170 mil votos.

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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