O caso do áudio de WhatsApp que viralizou nesta semana no Espírito Santo alertando para uma suposta tentativa de sequestro em Vitória serve de prévia para algo que mais uma vez nos espreita, como sociedade, na campanha eleitoral: a circulação de informações sem checagem que, no pior dos casos, são fake news.
Na gravação, uma mulher narra uma suposta abordagem feita por uma criança ao sair de um carro utilitário com motorista no bairro Santa Lúcia.
O áudio, com mais detalhes sobre a tal situação, circulou como um rastilho de pólvora, com a história chegando até a reportagem deste jornal. Como a voz afirmava ter feito um boletim de ocorrência, a Polícia Civil foi procurada e, em nota, informou que investiga e realiza levantamentos sobre as informações divulgadas no áudio para esclarecer os fatos. "Até o momento, não há qualquer confirmação de que no Estado tenha ocorrido algum crime dessa natureza."
Bem, como dito antes, esse episódio mostra o poder de disseminação de informações por redes sociais e, ao mesmo tempo, deixa evidente a importância da mediação da imprensa, responsável pelo acionamento das autoridades de segurança pública para checar a veracidade do que é descrito nessas gravações que circulam pelos celulares.
Esse é um papel que já tem sido desempenhado com vigor pelo jornalismo desde que as redes sociais se popularizaram e, nas eleições deste ano, o cenário será ainda mais desafiador, com a facilidade do uso de inteligência artificial nas deepfakes, em áudio ou vídeo.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem diretrizes para o uso de IA e acabou de criar um conselho para acompanhar desinformação e o uso da tecnologia nas eleições. Candidaturas sérias e comprometidas com a democracia precisam estar alinhadas às boas práticas, entrando na linha de frente para combater quem usa tecnologia para disseminar mentiras. E a Justiça Eleitoral deverá estar mais atenta do que nunca.
O eleitor também é protagonista e tem poder para frear a desinformação: não passar para frente informações não checadas, mesmo que alinhadas às suas próprias crenças e ideologias, é uma forma de começar a interromper esse ciclo de fake news.
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