A reorganização das contas públicas e o aumento da capacidade de investimento do município estão entre os fatores que ajudaram Vitória a alcançar, pela primeira vez, o primeiro lugar no Ranking de Competitividade dos Municípios. A avaliação, divulgada nesta quinta-feira (27), colocou a capital capixaba à frente de 423 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes.
Em entrevista à reportagem de A Gazeta, o secretário de Fazenda de Vitória, Regis Mattos, afirmou que o processo começou com uma reorganização fiscal realizada a partir de 2021. Segundo ele, o objetivo foi criar capacidade de investimento para que a prefeitura pudesse ampliar ações em infraestrutura e serviços públicos.
Sem cuidar das contas, a gente não tem como cuidar da cidade, cuidar das pessoas. Nós precisamos de recursos tanto para as obras quanto para melhoria do serviço, para investimento em tecnologia
Regis Mattos, secretário de Fazenda de Vitória
O secretário relaciona a situação fiscal à possibilidade de a prefeitura ampliar a oferta de serviços e realizar obras. Segundo ele, Vitória mantém atualmente a classificação “A” em capacidade de pagamento na avaliação do Tesouro Nacional, resultado que, na visão dele, dá maior segurança para o planejamento dos investimentos.
Mattos afirma que a reorganização financeira foi acompanhada por um planejamento de médio e longo prazo. O primeiro ciclo, segundo ele, estabeleceu metas para o período até 2025. Mais recentemente, a prefeitura elaborou um novo planejamento, com horizonte até 2030.
Entre os exemplos citados pelo secretário está o programa Vitória de Frente para o Mar, que reúne ações de urbanização, como a nova Orla do Canal de Camburi, além da ampliação do funcionamento de unidades de saúde em horários estendidos e aos finais de semana.
Se uma cidade tem uma saúde de qualidade, uma educação de qualidade e uma infraestrutura urbana de qualidade, isso é bom para a empresa porque ela vai conseguir atrair também profissionais qualificados
Regis Mattos, secretário de Fazenda de Vitória
A relação entre saúde, serviços públicos e competitividade também passa, segundo Mattos, pela capacidade de uma cidade de atrair trabalhadores e empresas.
Uma cidade competitiva é uma cidade que tem uma infraestrutura de qualidade, que tem serviços públicos de qualidade, tem um bom ambiente de negócios para as empresas
Regis Mattos, secretário de Fazenda de Vitória
Apesar da liderança, o secretário afirma que o objetivo da prefeitura não deve ser simplesmente permanecer em primeiro lugar no ranking. A ideia, segundo ele, é utilizar os indicadores como um diagnóstico das áreas que ainda precisam avançar.
O ranking é uma espécie de diagnóstico, uma análise de como é o desempenho de Vitória em diversas áreas, em mais de 100 indicadores. E olhar em cada um desses o que nós precisamos fazer para melhorar
Regis Mattos, secretário de Fazenda de Vitória
Segundo Mattos, a prefeitura pretende analisar os indicadores individualmente para identificar oportunidades de melhoria. Ele cita também a reforma tributária como um dos fatores que exigem preparação do município nos próximos anos.
A transição para o novo sistema tributário terá impactos progressivos sobre estados e municípios a partir de 2028, com conclusão prevista para 2033. Para o secretário, a preparação para esse cenário reforça a necessidade de manter as contas organizadas e buscar melhorias na competitividade do município.
Não necessariamente mirando o resultado de ranking, mas mirando o resultado de qualidade de vida e de desenvolvimento da cidade de Vitória
Regis Mattos, secretário de Fazenda de Vitória
Após cinco anos, o Espírito Santo voltou a ficar entre os cinco Estados mais competitivos do país, subindo duas posições em comparação à classificação do ano passado. No Ranking de Competitividade dos Estados, o Espírito Santo saiu do 7º lugar em 2025 para o 5º lugar em 2026, ficando atrás de Santa Catarina (1º lugar), São Paulo (2º), Paraná (3º) e Rio Grande do Sul (4º).
Na série histórica do ranking, que chegou à 15ª edição, o Espírito Santo repete, em 2026, a colocação alcançada em 2020 e 2021. Esse é o melhor resultado do Estado, que, dentro dos pilares usados na avaliação do estudo, ficou em 1º lugar em Solidez Fiscal, além de 2º em Infraestrutura e em 4º Eficiência da Máquina Pública.