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Indústria

Serra terá primeiro hub mundial com nova tecnologia para tubos de petróleo e gás

Vallourec recebeu licença da ExxonMobil para produzir e comercializar sistema de isolamento térmico submarino

Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 16:23

André Cypreste

Publicado em 

10 set 2026 às 16:23
Novo tubo da Vallourec com tecnologia GDLX da ExxonMobil
Novo tubo da Vallourec com tecnologia GDLX da ExxonMobil. André Cypreste

A unidade da Vallourec na Serra será a primeira planta industrial do mundo qualificada para produzir e aplicar em larga escala uma nova tecnologia de isolamento térmico submarino para tubos utilizados em projetos de petróleo e gás. A empresa recebeu da ExxonMobil a primeira licença para utilizar e comercializar os sistemas de resina Proxxima com a tecnologia GDLX e está implantando a solução na fábrica capixaba.


A tecnologia foi desenvolvida pela ExxonMobil nos Estados Unidos e chega ao Brasil por meio de um acordo de licenciamento com a Vallourec. A empresa está estruturando os processos necessários para produzir e aplicar o sistema em escala industrial, ampliando o portfólio de revestimentos oferecido pela unidade da Serra.


A previsão é que a nova operação comece a fornecer os primeiros produtos no primeiro semestre de 2028. O projeto já tem uma aplicação comercial definida: cerca de 90 quilômetros de tubulações serão produzidos com o novo sistema para o projeto Longtail, da ExxonMobil, na Guiana.


André Lacerda, vice-presidente da Vallourec na América do Sul, ressalta a importância dessa aquisição para a economia da empresa e do Estado.

Este investimento confirma o papel estratégico do Brasil na presença global da Vallourec. Na Serra, estamos ampliando capacidades locais, desenvolvendo expertise especializada e reforçando nosso compromisso de longo prazo com o Espírito Santo e a indústria offshore brasileira.

André Lacerda, vice-presidente da Vallourec na América do Sul

Segundo a Vallourec, a tecnologia GDLX representa uma evolução em relação aos sistemas convencionais de isolamento térmico submarino. Entre os diferenciais estão a maior velocidade de aplicação, as melhores propriedades térmicas e um tempo de resfriamento mais longo.


Na prática, o maior tempo de resfriamento amplia a janela para retomar a operação após uma parada não programada. Isso reduz o risco de que o produto transportado pela tubulação perca temperatura, se solidifique e provoque obstruções no sistema.

Quando uma linha em operação tem uma quebra, até que o líquido que está dentro dela resfrie, essa tecnologia permite um tempo maior para restabelecer a operação antes que os produtos se solidifiquem e acabem entupindo a linha.

Gustavo Pinheiro, gerente-geral de Operações da Vallourec Serra

Novo revestimento amplia portfólio da unidade
Vallourec transforma unidade na Serra em hub de tubos para petróleo offshore
Vallourec transforma unidade na Serra em hub de tubos para petróleo offshore Divulgação

A GDLX não vai substituir os revestimentos que a Vallourec já produz na Serra. A nova solução será incorporada ao portfólio da unidade e utilizada de forma complementar às tecnologias existentes, de acordo com as características de cada projeto.


A fábrica já trabalha com sistemas como o 3LPP, revestimento de três camadas de polipropileno utilizado para proteção anticorrosiva e mecânica de tubos de aço, e o 5LPP, que acrescenta camadas ao sistema para aplicações que exigem maior proteção mecânica ou isolamento térmico.


Com a nova tecnologia, a empresa amplia a oferta para projetos offshore que demandam isolamento térmico de maior desempenho, especialmente em operações em águas profundas.

A nossa unidade vai continuar fornecendo os dois materiais. Estamos aumentando a capacidade e diversificando o portfólio. Com isso, conseguimos atender não somente um determinado nicho, mas também abrir para outras áreas.

Paulo Santos, gerente-geral de Vendas da Vallourec

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Guiana será primeiro projeto

A primeira aplicação comercial da tecnologia será no projeto Longtail, da ExxonMobil, na Guiana. Em maio, a Vallourec anunciou novos pedidos da companhia para os projetos offshore Hammerhead e Longtail, localizados no bloco Stabroek.


Os pedidos somam mais de 145 quilômetros de tubos, com aproximadamente 40 mil toneladas. Desse total, cerca de 90 quilômetros, equivalentes a aproximadamente 22 mil toneladas, receberão o isolamento com os sistemas de resina Proxxima e tecnologia GDLX.


De acordo com a Vallourec, a nova operação da Serra terá como objetivo atender tanto o mercado brasileiro quanto projetos internacionais. A empresa pretende transformar a unidade capixaba em um hub de fornecimento para projetos offshore.

Petrobras está entre os potenciais clientes
Vallourec transforma unidade na Serra em hub de tubos para petróleo offshore
Previsão é que a nova operação comece a fornecer os primeiros produtos no primeiro semestre de 2028 Divulgação

A Petrobras está entre os mercados que a Vallourec pretende atender com a nova tecnologia. A empresa afirma que mantém conversas com a estatal, mas a solução ainda precisará passar por um processo de qualificação antes de ser utilizada em projetos da companhia.


A Vallourec também vê potencial de aplicação em futuros projetos de exploração de petróleo no Brasil, incluindo a Margem Equatorial, além de operações de empresas privadas.


A unidade da Serra já participa de projetos estratégicos do pré-sal brasileiro, como Búzios 10 e Atapu 2, operados pela Petrobras, por meio do fornecimento de revestimentos. Esses projetos, porém, não foram apresentados pela empresa como aplicações da nova tecnologia GDLX.


A Vallourec ainda não informou o valor do investimento para a implantação da nova capacidade industrial na Serra. Segundo os executivos, o projeto está na fase final de consolidação do capital investido na expansão.


A empresa também prevê a abertura de novos turnos de produção e o aumento da demanda por mão de obra, mas ainda não informou o número de novos postos de trabalho.


Parte da capacitação será feita em parceria com a estrutura da Vallourec nos Estados Unidos. Funcionários da unidade capixaba deverão passar por treinamento no país para adquirir conhecimento técnico sobre a nova tecnologia antes do início da operação comercial.


Além da mão de obra própria, a companhia prevê a participação de empresas locais em serviços de manutenção e fornecimento relacionados à nova operação.

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