A unidade da Vallourec na Serra será a primeira planta industrial do mundo qualificada para produzir e aplicar em larga escala uma nova tecnologia de isolamento térmico submarino para tubos utilizados em projetos de petróleo e gás. A empresa recebeu da ExxonMobil a primeira licença para utilizar e comercializar os sistemas de resina Proxxima com a tecnologia GDLX e está implantando a solução na fábrica capixaba.
A tecnologia foi desenvolvida pela ExxonMobil nos Estados Unidos e chega ao Brasil por meio de um acordo de licenciamento com a Vallourec. A empresa está estruturando os processos necessários para produzir e aplicar o sistema em escala industrial, ampliando o portfólio de revestimentos oferecido pela unidade da Serra.
A previsão é que a nova operação comece a fornecer os primeiros produtos no primeiro semestre de 2028. O projeto já tem uma aplicação comercial definida: cerca de 90 quilômetros de tubulações serão produzidos com o novo sistema para o projeto Longtail, da ExxonMobil, na Guiana.
André Lacerda, vice-presidente da Vallourec na América do Sul, ressalta a importância dessa aquisição para a economia da empresa e do Estado.
Este investimento confirma o papel estratégico do Brasil na presença global da Vallourec. Na Serra, estamos ampliando capacidades locais, desenvolvendo expertise especializada e reforçando nosso compromisso de longo prazo com o Espírito Santo e a indústria offshore brasileira.
André Lacerda, vice-presidente da Vallourec na América do Sul
Segundo a Vallourec, a tecnologia GDLX representa uma evolução em relação aos sistemas convencionais de isolamento térmico submarino. Entre os diferenciais estão a maior velocidade de aplicação, as melhores propriedades térmicas e um tempo de resfriamento mais longo.
Na prática, o maior tempo de resfriamento amplia a janela para retomar a operação após uma parada não programada. Isso reduz o risco de que o produto transportado pela tubulação perca temperatura, se solidifique e provoque obstruções no sistema.
Quando uma linha em operação tem uma quebra, até que o líquido que está dentro dela resfrie, essa tecnologia permite um tempo maior para restabelecer a operação antes que os produtos se solidifiquem e acabem entupindo a linha.
Gustavo Pinheiro, gerente-geral de Operações da Vallourec Serra
A GDLX não vai substituir os revestimentos que a Vallourec já produz na Serra. A nova solução será incorporada ao portfólio da unidade e utilizada de forma complementar às tecnologias existentes, de acordo com as características de cada projeto.
A fábrica já trabalha com sistemas como o 3LPP, revestimento de três camadas de polipropileno utilizado para proteção anticorrosiva e mecânica de tubos de aço, e o 5LPP, que acrescenta camadas ao sistema para aplicações que exigem maior proteção mecânica ou isolamento térmico.
Com a nova tecnologia, a empresa amplia a oferta para projetos offshore que demandam isolamento térmico de maior desempenho, especialmente em operações em águas profundas.
A nossa unidade vai continuar fornecendo os dois materiais. Estamos aumentando a capacidade e diversificando o portfólio. Com isso, conseguimos atender não somente um determinado nicho, mas também abrir para outras áreas.
Paulo Santos, gerente-geral de Vendas da Vallourec
A primeira aplicação comercial da tecnologia será no projeto Longtail, da ExxonMobil, na Guiana. Em maio, a Vallourec anunciou novos pedidos da companhia para os projetos offshore Hammerhead e Longtail, localizados no bloco Stabroek.
Os pedidos somam mais de 145 quilômetros de tubos, com aproximadamente 40 mil toneladas. Desse total, cerca de 90 quilômetros, equivalentes a aproximadamente 22 mil toneladas, receberão o isolamento com os sistemas de resina Proxxima e tecnologia GDLX.
De acordo com a Vallourec, a nova operação da Serra terá como objetivo atender tanto o mercado brasileiro quanto projetos internacionais. A empresa pretende transformar a unidade capixaba em um hub de fornecimento para projetos offshore.
A Petrobras está entre os mercados que a Vallourec pretende atender com a nova tecnologia. A empresa afirma que mantém conversas com a estatal, mas a solução ainda precisará passar por um processo de qualificação antes de ser utilizada em projetos da companhia.
A Vallourec também vê potencial de aplicação em futuros projetos de exploração de petróleo no Brasil, incluindo a Margem Equatorial, além de operações de empresas privadas.
A unidade da Serra já participa de projetos estratégicos do pré-sal brasileiro, como Búzios 10 e Atapu 2, operados pela Petrobras, por meio do fornecimento de revestimentos. Esses projetos, porém, não foram apresentados pela empresa como aplicações da nova tecnologia GDLX.
A Vallourec ainda não informou o valor do investimento para a implantação da nova capacidade industrial na Serra. Segundo os executivos, o projeto está na fase final de consolidação do capital investido na expansão.
A empresa também prevê a abertura de novos turnos de produção e o aumento da demanda por mão de obra, mas ainda não informou o número de novos postos de trabalho.
Parte da capacitação será feita em parceria com a estrutura da Vallourec nos Estados Unidos. Funcionários da unidade capixaba deverão passar por treinamento no país para adquirir conhecimento técnico sobre a nova tecnologia antes do início da operação comercial.
Além da mão de obra própria, a companhia prevê a participação de empresas locais em serviços de manutenção e fornecimento relacionados à nova operação.