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Eleições 2026

Justiça pede esclarecimentos a 7 empresas sobre reuniões com candidatos no ES

Determinação da Justiça Eleitoral ocorre após solicitação de coligação em chapa para o governo

Publicado em 26 de Agosto de 2026 às 18:01

Tiago Alencar

Publicado em 

26 ago 2026 às 18:01
Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) vai apurar se houve assédio eleitoral em encontro com candidatos
Sede do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, que solicitou esclarecimento ssobre encontros Reprodução

Sete empresas do Espírito Santo terão de prestar esclarecimentos à Justiça Eleitoral sobre supostas reuniões de caráter político-eleitoral envolvendo funcionários. 


A determinação consta de decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), publicada na terça-feira (25), em resposta a uma cautelar apresentada pela coligação “Paz pra Viver um Novo Tempo”, formada pelos partidos Republicanos e Agir.


Segundo a coligação, os encontros podem configurar assédio eleitoral e abuso de poder, por terem ocorrido em empresas privadas, com a presença de trabalhadores . 


Na ação, os partidos afirmam ainda que teriam ocorrido pedidos de votos, menções a números de urna e discursos relacionados a obras e ações do governo.


Embora a decisão tenha como destinatárias as empresas, os alvos da ação eleitoral são o governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição; o vereador de Vitória Camillo Neves, candidato a vice na chapa governista; o ex-governador Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado; os dois suplentes de sua chapa; e o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), apontados como participantes dos encontros nas empresas.


O autor da decisão é o desembargador Arthur José Neiva de Almeida, corregedor regional eleitoral que atendeu parcialmente ao pedido da coligação. 


As empresas Frigorífico Corella, Viação Águia Branca, Transilva Transporte e Logística, Fortlev Energia Solar, RDG Aços do Brasil e Vamtec Vitória têm cinco dias para encaminhar informações ao TRE-ES sobre os encontros. A relação apresentada na ação também envolve a Serramar Transporte Coletivo, citada por causa de uma reunião realizada em 24 de agosto.


Por meio de sua assessoria, a Viação Águia Branca informou que não comentaria o caso. O mesmo posicionamento foi encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), em nome da Serramar.


Na noite da terça-feira (25), a reportagem também procurou as demais empresas sobre a ação no TRE-ES, via e-mail disponibilizados em seus sites, bem como por meio de mensagem de texto. Caso haja resposta, esta matéria será atualizada.


Entre as informações solicitadas pela Justiça Eleitoral, estão a identificação das pessoas que aparecem nas imagens dos encontros; a confirmação sobre se os trabalhadores estavam ou não em horário de expediente; como ocorreu a convocação; quem foi responsável pela organização das reuniões em cada empresa; e se a participação dos funcionários foi espontânea.


Ao fundamentar a decisão, o desembargador Arthur José Neiva de Almeida destacou a necessidade de cautela na análise das denúncias de assédio eleitoral em reuniões realizadas dentro de empresas privadas. Segundo ele, não é possível afirmar antecipadamente que os trabalhadores tenham sido coagidos ou obrigados a participar dos encontros. 


“Frisa-se que não se sustenta que a simples visita de um candidato a uma empresa seja ilícita, tampouco se pretende impedir empresários de receber candidatos ou restringir o legítimo exercício da atividade política", destaca o corregedor.

Ele acrescenta:"O que se busca coibir é a prática na qual trabalhadores são reunidos por ordens disfarçadas de convites, emanadas de seus empregadores, para ouvirem discursos políticos de determinado grupo".

Pedido para proibir novas reuniões é negado

Embora tenha determinado a prestação de esclarecimentos por parte das empresas, o desembargador negou o pedido da coligação visando ao impedimento de novos atos de campanha ou suposto assédio eleitoral em ambientes de trabalho. 


Os partidos também pretendiam a imposição de multa R$ 100 mil por eventual descumprimento. Ao negar procedência a esse trecho da ação, o magistrado frisou que candidatos e partidos já são obrigados por lei e pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a não praticar assédio eleitoral ou abuso de poder, tornando desnecessária uma ordem judicial específica nesse sentido.


"Ademais, as reuniões/encontros com empresas privadas, no período de campanha eleitoral, não são, por si sós, vedados pela legislação, como, aliás, destacado pela Procuradoria Regional Eleitoral (que inclusive mencionou a hipótese de diálogo institucional no setor produtivo", disse o magistrado.

Defesa diz que decisão não aponta ilegalidade

Advogado da campanha de Ricardo Ferraço, Renan Sales afirmou que a decisão não reconheceu qualquer conduta ilegal por parte do governador. 


Segundo ele, o próprio desembargador registrou que reuniões ou encontros com empresas privadas durante o período eleitoral não são, por si só, proibidos pela legislação.


A defesa também destacou que, segundo a decisão, os elementos apresentados até o momento não permitem presumir que tenha havido convocação compulsória, constrangimento ilegal ou obrigatoriedade de participação dos trabalhadores. 


“Assim, a decisão não impõe qualquer juízo de ilegalidade sobre a conduta de Ricardo Ferraço, tampouco reconhece a ocorrência de assédio eleitoral ou abuso de poder”, afirmou o advogado.


A campanha de Renato Casagrande também negou irregularidades. Em nota, afirmou que o ex-governador mantém, ao longo de sua trajetória política, diálogo frequente com diferentes segmentos da sociedade e que o período eleitoral intensifica de forma legítima essa interlocução.


“O diálogo com a população e com os setores produtivos sempre pautou a trajetória política de Renato Casagrande, que participa frequentemente de agendas e reuniões com os mais diversos segmentos da sociedade”, informou a campanha. Segundo a nota, “não há irregularidades na realização de visitas de campanha aos setores produtivos do Estado do Espírito Santo”.


O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, foi procurado na noite da terça-feira e na tarde desta quarta-feira (26), mas não se manifestou sobre a cautelar do TRE-ES. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

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