Atualmente, estar nas redes sociais é quase imprescindível, principalmente para figuras públicas, como políticos. Em período eleitoral, então, a presença digital se torna quase obrigatória para candidatos que desejam comunicar suas ideias para o maior número de pessoas da forma mais rápida possível.
Seja pela falta de tempo na propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, seja para falar com públicos de diferentes idades e regiões, a campanha online tem se tornado, a cada eleição, mais intensa e dinâmica. Por isso, candidatos a todos os cargos em disputa criam estratégias focadas nas redes sociais, com criação de conteúdos específicos para essas plataformas.
► COMPARE AS PROPOSTAS DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ES E À PRESIDÊNCIA
Segundo Fernando Carreiro, estrategista e criativo de marketing político e eleitoral, hoje as redes sociais são indispensáveis, mas não soberanas: “Elas apresentam, humanizam, criam frequência e organizam comunidades. Mas a eleição não cabe no algoritmo. Curtida mede reação; voto exige confiança, território e vínculo”.
Diante da relevância da campanha no meio digital, os concorrentes ao governo do Espírito Santo e ao Senado nas Eleições 2026 têm utilizado as plataformas para divulgar propostas, atacar adversários, se tornar mais conhecidos ou atrair novos eleitores por meio de conteúdos divertidos ou com tom de denúncia.
Por isso, para saber quais são as principais apostas dos postulantes, A Gazeta analisou os perfis informados por eles no sistema da Justiça Eleitoral. Os candidatos são obrigados a informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no momento do registro de candidatura, as contas oficiais que mantêm nas redes sociais.
O que bomba nas redes sociais dos candidatos ao governo
Candidato ao comando do Estado, Breno Barcelos (Missão) utiliza as redes sociais com frequência e está presente nas principais plataformas, como Instagram, TikTok e X. Apostando em vídeos, o concorrente utiliza tom de superação e também faz denúncias nas publicações, apontando o que poderia melhorar no Espírito Santo, conforme a visão dele.
Já o deputado federal Helder Salomão (PT), que tem perfis em pelo menos sete redes sociais, busca utilizar uma linguagem contemporânea nas publicações, surfando nas trends da geração Z e produzindo “memes”, além de se mostrar saudável e disposto, por meio de vídeos fazendo atividades físicas, como corrida e musculação. Vídeos e fotos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completam o feed do candidato.
Ex-prefeito de Vitória, o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) se diferencia publicando vídeos com músicas populares, jingles feitos com bregafunk e várias notícias sobre a cidade que governava, principalmente resultados positivos obtidos em determinadas áreas.
Rafael Demuner (UP), por sua vez, faz poucas publicações, alimentando a conta com postagens em colaboração com outros candidatos e vídeos diretos, com pouca edição, nos quais defende suas propostas e posicionamento ideológico. O perfil no Instagram ainda é utilizado para convidar a população a participar de atos da campanha.
Com perfis em várias plataformas, o governador Ricardo Ferraço (MDB), que busca a reeleição, aposta principalmente em divulgar os feitos da sua gestão, como investimentos e entregas de obras em diferentes municípios capixabas. Ele também movimenta os feeds com memes e a imagem do ex-governador Renato Casagrande (PSB), principal cabo eleitoral do emedebista, é frequente nas contas do candidato, em manifestações de apoio ao aliado.
Além disso, todos os candidatos postam cortes de entrevistas, discursos em eventos políticos, imagens de atos de campanha feitos nas ruas e aproveitam o material veiculado na TV durante o horário eleitoral.
Com propostas e estratégias diferentes, cada concorrente ao Palácio Anchieta busca imprimir um tom em seus perfis digitais. Segundo Carreiro, esse tom “nasce do encontro entre a identidade do candidato, o sentimento do eleitor e o papel político que ele pretende ocupar”.
O especialista ressalta também que estar em diferentes plataformas é importante, mas não tanto quanto saber por que se está em cada uma delas. “Cada rede tem linguagem, público e função; presença massiva só produz resultado quando há conteúdo adequado, equipe e objetivo”.
Na análise dos perfis dos candidatos ao governo capixaba, é possível perceber que, por mais que eles tenham contas em diversas redes sociais, não há produções individualizadas para cada uma delas. Ou seja, um mesmo material digital circula em mais de uma plataforma.
E o que postam os candidatos ao Senado?
Em busca de uma cadeira na Casa Alta, Callegari (DC), Leonardo Monjardim (Novo) e Marcos do Val (Avante) utilizam os perfis, principalmente, para fazer vídeos criticando os adversários e as pautas com as quais não concordam.
Os candidatos também realizam transmissões ao vivo e divulgam trechos de entrevistas e atos de campanha nas ruas.
Já Sérgio Meneguelli (PSD) aposta em vídeos nos quais denuncia o que considera ser irregular nas ruas capixabas e fala sobre feitos de seu mandato como deputado estadual. O candidato também posta registros das viagens a cidades do interior do Estado e fala diretamente para o eleitor.
Evair de Melo (Republicanos), presente em várias redes sociais, também publica muitos conteúdos que demonstram sua trajetória pessoal, ideias e feitos de mandatos anteriores. Compõem o feed vídeos com jingles, participação em eventos em diferentes cidades capixabas, trechos de entrevistas e manifestações de apoio de eleitores.
Candidato à reeleição, Fabiano Contarato (PT) tem perfis nas principais plataformas digitais e busca se aproximar do público jovem com memes e trends. O petista publica ainda posts relembrando sua carreira profissional e política, trechos de discursos, registros da campanha nas ruas, propaganda eleitoral e jingles. Novamente, Lula é frequente nas redes do correligionário.
Já o ex-governador Renato Casagrande aposta em compartilhar benfeitorias nos municípios capixabas e resultados de sua gestão à frente do Executivo capixaba, criar memes, participar de trends e publicar vídeos de bastidores da campanha. Em várias plataformas, também há vídeos de receitas, do candidato praticando atividades físicas e participando de eventos esportivos, além de propaganda eleitoral exibida na TV e trechos de discursos.
Com presença bem mais tímida no mundo digital, aparecem Rodney Miranda (PRTB) e Rose de Freitas (MDB). O primeiro faz vídeos simples nos quais fala diretamente com a população sobre sua candidatura e posicionamento ideológico. A ex-senadora, movimenta as contas com a propaganda eleitoral exibida na televisão e conteúdos que demonstram sua trajetória política.
Sobre esses casos, Fernando Carreiro afirma que a ausência digital não apaga necessariamente o nome, “sobretudo quando existe capital político acumulado, mas pode transformar presença em lembrança e lembrança em passado”.
“No caso de candidatos pouco presentes nas redes, o desafio não é apenas aparecer: é renovar atualidade, demonstrar movimento e provar que continuam dentro da disputa”, diz o especialista.
Maguinha Malta (PL), com perfis nas principais redes sociais, informou uma conta de Instagram inválida ao TSE. A Gazeta, então, consultou o perfil oficial da candidata e verificou que ela faz críticas a adversários políticos, compartilha vídeos falando diretamente ao eleitor com linguagem religiosa e divulga a campanha feita nas ruas.
Professor Fabian (PSol) informou ao TSE contas inválidas no Instagram e no Facebook. A Gazeta verificou os perfis corretos, que contêm trechos de entrevistas e discursos, imagens da campanha presencial e vídeos em diferentes locais da Grande Vitória, nos quais o candidato apresenta suas propostas. Há também conteúdos debatendo questões da educação e vídeos de eleitores pedindo votos.
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