Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, de 38 anos, Vera Lúcia de Andrade, de 44, e Maria Aparecida Martins Barbosa, de 54, são as três vítimas que morreram no acidente com um ônibus de excursão na BR 262, em Ibatiba, na Região do Caparaó, no Espirito Santo. A identificação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Douglas era o motorista do coletivo e morava em Contagem, em Minas Gerais. Vera e Maria Aparecida eram passageiras e moravam em Belo Horizonte. Segundo a PRF, Douglas e Vera morreram no local do acidente. Maria Aparecida chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O ônibus, que saiu de Contagem e retornava de Itaoca, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, tombou no km 151 da BR 262, em um trecho conhecido como Curva da Ferradura, matando três pessoas e deixando outras 45 feridas. Os corpos foram encaminhados pela perícia da Polícia Científica para a Seção de Medicina Legal de Venda Nova do Imigrante e liberados aos familiares na segunda-feira (28).
Do total de feridos, dois foram levados para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim: um homem de 39 anos com fratura na mandíbula e uma mulher de 34 anos com traumatismo craniano. Na Santa Casa de Misericórdia de Iúna, foram atendidas 25 vítimas no pronto socorro, em situação de urgência e emergência. Segundo o hospital, três delas foram tranferidos para unidades de referência na Grande Vitória, para onde tambem foram levados os demais feridos.
A Santa Casa de Iúna informou que alguns feridos atendidos no local já foram liberados pelos médicos, mas ficarão na unidade aguardando transporte enviado pela empresa responsável pelo ônibus ou por familiares.
No Pronto Atendimento de Ibatiba, das 20 vítimas encaminhadas a unidade após o acidente, 10 foram transferidas para outras unidades de saúde. Cinco pessoas, entre elas, duas crianças seguem internadas. As demais foram liberadas.
Segundo o chefe da delegacia da PRF de Viana, Marcel Haase, uma falha mecânica pode ter causado o tombamento do ônibus. Testemunhas relataram que o veículo teria perdido o freio ao passar pela chamada Curva da Ferradura, no km 151 da rodovia.
Haase ressaltou que a informação é preliminar e que a causa do acidente ainda será investigada. Uma equipe de perícia foi encaminhada ao local para analisar as circunstâncias do tombamento e apontar o que provocou o acidente.
A Polícia Científica informou que o ônibus passará por um exame especializado do Departamento de Engenharia Forense (DENF), complementar à perícia realizada no local do acidente. As equipes estão organizando o deslocamento para que o exame seja feito o mais breve possível, mas ainda não há data definida.
Procurada pela reportagem, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que ônibus envolvido no acidente trafegava de forma irregular no momento da tragédia.
Segundo a ANTT, o veículo (placa KJJ-3E79), de propriedade da empresa GOJ Transporte e Turismo Ltda., possuía Licença de Viagem aberta apenas para o trecho entre Santa Bárbara (MG) e São Paulo (SP). Ao passar pelo Espírito Santo, o coletivo descumpria o itinerário aprovado pela fiscalização federal.
Apesar da irregularidade no trajeto, a ANTT pontuou que o coletivo cumpria as exigências técnicas e legais de circulação: o Certificado de Segurança Veicular (CSV), a aferição do cronotacógrafo e o seguro contra acidentes estavam dentro da validade.
A constatação de rota não autorizada deve integrar o inquérito policial que apura as responsabilidades do acidente na rodovia federal, de acordo com a ANTT.
Geraldo de Oliveira, responsável pela GOJ Transporte e Turismo Ltda., afirmou que o ônibus havia sido vendido pela empresa cerca de 35 a 40 dias antes do acidente, mas que a transferência ainda não havia sido formalizada. Segundo ele, o atual proprietário utilizou o coletivo para substituir outro ônibus que apresentou problema mecânico antes da viagem.
Geraldo disse que orientou o comprador a informar à ANTT sobre a substituição do veículo. “A gente tem a opção de informar troca de veículo, troca de motorista. Aconteceu um problema, pode ser substituído”, afirmou.
Ele afirmou que, no sábado, ao perguntar se o procedimento havia sido realizado, ouviu do comprador: “Eu não consegui informar a troca do veículo porque trabalho com cooperativa, não tenho sistema próprio da ANTT, sou cooperado”.
Geraldo acrescentou que, quando a empresa possui acesso direto ao sistema, a alteração pode ser feita em cerca de 20 minutos. Ele afirmou ainda que o ônibus estava com a documentação e o seguro regulares.
A reportagem aguarda contato do atual proprietário para ouvi-lo sobre o caso.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Segundo o delegado de Ibatiba, Bruno Alves Rodrigues, as mortes das duas passageiras são investigadas, preliminarmente, como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas o resultado ocorre por imprudência, negligência ou imperícia.
Também são apuradas possíveis lesões corporais culposas relacionadas às demais vítimas. O motorista do ônibus, que também morreu no acidente, seria inicialmente investigado como pessoa física. Com a morte dele, houve extinção da punibilidade, conforme previsto no Código Penal. A investigação, no entanto, continuará para apurar eventual responsabilidade da empresa.