Nos últimos tempos, Paulo Hartung voltou a cultivar a barba.
Renato Casagrande e Ricardo Ferraço, não. Esses dois, no entanto, estão com as
barbas de molho ante a aproximação eleitoral do Partido Social Democrático (PSD).
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Nesta quarta-feira (22), dois dias após descolar-se da
coligação de Lorenzo Pazolini (Republicanos), Renzo Vasconcelos, presidente
estadual do PSD, reuniu-se com Ricardo na Residência Oficial e manifestou o
interesse do partido em entrar na sua chapa majoritária. O prefeito de Colatina
jura que não está blefando.
No Palácio Anchieta, desconfia-se que Renzo no fundo só
esteja fazendo isso para melhorar a própria posição nas negociações com o grupo
de Pazolini e pressionar Magno Malta (PL) a aceitar abrir espaço ao PSD na coligação
do ex-prefeito de Vitória.
Pelo sim, pelo não, mesmo vendo com certa desconfiança esse approach de Renzo, Ricardo e seu núcleo
político também sabem que não podem perder a chance: já que a oportunidade se
abriu, num momento decisivo do calendário eleitoral, precisam levá-la muito a
sério e tentar obter a adesão do PSD. Sem exagerar nas concessões. E com a devida aquiescência dos parceiros que já estão no projeto há muito tempo.
O que Ricardo e Casagrande ganhariam com isso? Muito.
Em primeiro lugar, mais que conseguir a adesão de mais um
forte partido, trata-se de retirar esse mesmo partido da frente adversária. Para
Ricardo, agregar o PSD à sua coligação significaria, antes de tudo, tirá-lo da
coligação de Pazolini – hoje, segundo a última pesquisa Quaest da Rede Gazeta, seu
maior concorrente eleitoral, no cenário sem Paulo Hartung.
Na propaganda eleitoral gratuita, com a quarta maior bancada
na Câmara dos Deputados (quase 50 parlamentares), o PSD assoma quase 1 minuto
para os candidatos ao governo e ao Senado, por bloco de 10 minutos, segundo a
estimativa de Renzo.
Isso sem falar no apoio de um político popular como o
deputado Sérgio Meneguelli e o endosso pessoal do próprio Renzo, com a máquina
da Prefeitura de Colatina, terceira maior cidade do Norte do Estado, também redirecionada
em prol da campanha do atual governador.
Entre as dez cidades mais populosas do Espírito Santo, exceto
Vitória, Colatina é, até o momento, a única cujo governante não está comprometido
com a campanha de Ricardo.
“Para o Palácio Anchieta, esse é um acordo que vale ouro”,
resume um aliado de Ricardo no MDB.
“Acho que é consenso de todos: onde o PSD estiver, o candidato
a governador estará no 2º turno”, afirma Renzo, sem modéstia. “Tenho dois dos
maiores ativos do Estado, que se chamam Paulo Hartung e Sérgio Meneguelli. Essas
duas figuras de fato pesam na balança eleitoral, onde estiverem.”
Aqui estamos falando em hipótese, mas, se a migração do PSD
para o palanque de Ricardo realmente se confirmar, será preciso separar essas “figuras”.
Meneguelli na certa não terá a menor dificuldade em apoiar Ricardo e pedir seu
segundo voto para Casagrande.
Mas será inimaginável a presença de Hartung em tal campanha.
Mais provável que, nessa hipótese, o ex-governador se recolha, não participe da
campanha no Espírito Santo e se concentre na eleição nacional e em suas
atividades profissionais, baseadas há anos em São Paulo.
E como fica Rose de
Freitas?
Para a viabilização desse arranjo com o PSD, quem pode
acabar sendo sacrificada é Rose de Freitas (MDB), pré-candidata ao Senado. No momento,
a ex-senadora ainda “segura” a segunda vaga na coligação liderada por Ricardo –
até por falta de outro aliado disposto a encarar essa disputa.
Mas, reservadamente, estrategistas de Casagrande sempre se
mantiveram abertos à possibilidade de avaliar alguma alternativa que surgisse de
última hora e que pudesse ser politicamente mais vantajosa para a coligação
governista.
Bem, essa oportunidade se apresenta agora, na figura de
Sérgio Meneguelli. Para atrair o PSD, estará Ricardo Ferraço disposto a
substituir Rose por Meneguelli como segundo candidato ao Senado, ao lado de
Casagrande?
Uma coisa é certa: assim como Ricardo, Rose é do MDB, e esse
sempre foi um “senão” para a candidatura da ex-senadora. Numa coligação tão
ampla, com tantos partidos aliados, o MDB hoje ocupa duas candidaturas majoritárias.
O argumento para demover Rose já está pronto, portanto.
Difícil será persuadir a ex-senadora disso.
A intenção de postergar ao máximo a escolha do segundo
candidato ao Senado na chapa de Ricardo foi um dos fatores que levaram o MDB a
adiar sua convenção para o dia 5, data limite do prazo.
Nessa disputa interna, o maior trunfo de Rose é a excelente relação mantida por ela com Baleia Rossi (presidente nacional do MDB) e outros dirigentes nacionais do partido, construída ao longo das décadas em que esteve no Congresso Nacional.
A direção nacional do MDB já até publicou na terça-feira (21), em seu Instagram, um post sobre a convenção no Espírito Santo, destacando as candidaturas de Ricardo e também de Rose. Quase com o mesmo destaque.
A primeira-dama de
Colatina
Na mesa de negociações com Ricardo, também entra a
possibilidade de escalação de Lívia Vasconcelos (PSD), primeira-dama de
Colatina, como candidata a vice do atual governador.
Por ora, o posto é disputado pelo Podemos e pela Federação
União Progressista (com vantagem para esta última, até pelo seu porte bem
maior).
Mas o próprio presidente estadual da federação, Josias da
Vitória (PP), tem operado nos bastidores como um dos incentivadores do ingresso
do PSD no movimento governista. Da Vitória é pré-candidato à reeleição na
Câmara dos Deputados, aliado de Renzo e, com isso, também tende a ver a própria
campanha a deputado fortalecida em seu próprio reduto, Colatina.
É uma hipótese ainda bem distante, mas, supondo que Lívia se
torne companheira de chapa de Ricardo, será uma situação das mais insólitas: há
meses, ela vinha sendo tratada como uma das favoritas para ocupar a mesma
posição, mas na chapa de Pazolini.
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