Em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto, o senador
Flávio Bolsonaro (PL), a exemplo do pai, manifestou visão negacionista em
relação às mudanças climáticas. Evitou confirmar a existência do aquecimento
global e atribuiu eventos climáticos extremos a ciclos naturais de calor e frio
no Planeta Terra, sem admitir influência direta da ação humana.
Já na sabatina promovida na segunda-feira (14) por A Gazeta e CBN
Vitória, o deputado federal Evair de Melo (Rep), um dos candidatos ao Senado
apoiados por Jair Bolsonaro (PL), não chegou a dizer com todas as letras que “discorda”
da visão de Flávio. Mas, instado a se posicionar sobre o tema, expressou um
ponto de vista bastante diferente. Definitivamente não disse “Bolsonaro tem
razão”.
Técnico agrícola por formação e presidente do Incaper antes de se
tornar deputado federal, Evair deu uma resposta muito mais técnica e
cientificista (e mais razoável, poderíamos acrescentar).
Não há ação do homem sobre a Terra que não gere impacto. Por
isso a ciência e a informação, para que possamos mitigar esse impacto: boas práticas
agrícolas, obras com princípios de sustentabilidade... O homem nasceu, ele
começa a gerar o impacto.
Evair de Melo (Rep), candidato a senador
“O que nós temos que fazer [para mitigar tais impactos]?
Conhecimento aplicado e boas práticas, e a ciência que é a resposta para que
toda ação do homem, ou no interior, ou nas obras ou na cidade, ele possa
mitigar esse impacto.”
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Evair apoiou Jair Bolsonaro para a Presidência em 2018 e
2022. Durante o governo do pai de Flávio, foi um dos seus vice-líderes na
Câmara dos Deputados (onde está prestes a encerrar o terceiro mandato
consecutivo). Agora, apoia Flávio para o Planalto e é candidato ao Senado pelo
Republicanos, na mesma coligação do PL, a qual também tem a candidatura de
Maguinha Malta (PL) ao Senado.
Evair deu uma resposta profundamente baseada na ciência,
aliás, uma resposta exaltando a própria ciência e, acima de tudo, o conceito de
desenvolvimento sustentável – no que também podemos considerar que ele destoa
da família Bolsonaro. O ex-presidente nunca foi propriamente um defensor do
meio ambiente. Em seu governo, a proteção ambiental nunca esteve exatamente no
topo da lista de prioridades. Que o diga o então ministro Ricardo Salles...
“Sou filho de agricultores, técnico agrícola de formação,
fui secretário municipal de Agricultura e de Meio Ambiente de Venda Nova do
Imigrante, tive oportunidade de presidir o Incaper. Comecei a trabalhar o tema
sustentabilidade, que fala: economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente
correto. Então, eu estou a cavalheiro para falar desse tema, porque a minha vida
está muito próxima a isso”, afirmou Evair, listando uma série de medidas tomadas
por ele à frente do Incaper, lastreadas por pesquisa e evidências científicas.
Portanto, eu sou defensor do meu histórico, da ciência, do acompanhamento, da boa informação, de práticas sustentáveis, que são minha formação. Esse é meu histórico. É claro que o senador Flávio talvez não tenha o conhecimento técnico tão aprofundado como eu tenho sobre esse tema.
Evair de Melo (Rep), candidato a senador
“Portanto, no meu caso, como senador da República, eu vou
trabalhar sempre numa defesa incondicional de práticas sustentáveis, pela minha
formação, pela minha origem e naturalmente pela trajetória técnica que eu fiz, por
exemplo, nos debates que fiz nas comissões.”
Evair ainda ressaltou a importância da universalização do
saneamento básico no país.
“O maior poluidor do Brasil é o saneamento básico. Na
Câmara, presidi a Comissão Especial do Saneamento Básico. Nós entregamos um marco
fundamental: até 2032, nós vamos universalizar o saneamento básico no Brasil.
Resultado disso: menor poluição dos nossos rios. Não há entrega mais
sustentável do que essa que vamos fazer para os capixabas e para os
brasileiros.”
Incrivelmente, fala
de Evair o aproxima de... Marina Silva
Na Câmara dos Deputados, ao longo do atual mandato, em mais
de uma audiência, Evair interpelou Marina Silva (Rede) e bateu de frente com a
então ministra do Meio Ambiente.
Evair chegou a dizer que
Marina era ideologicamente “adestrada”. No ápice da tensão entre eles, em
audiência da Comissão de Agricultura da Câmara, no dia 2 de julho de 2025, o
deputado disse para a então ministra que ela tinha “dificuldade com o
agronegócio”, porque “nunca trabalhou”, e que se portava como “dona da verdade”.
Querelas ideológicas à parte, o que chama imensamente a atenção
nas respostas de Evair sobre mudanças climáticas e meio ambiente é que suas
posições no tema o aproximam muito mais de... Marina Silva do que dos Bolsonaro.
Uma frase dita por ele para definir o conceito de “desenvolvimento
sustentável” poderia ter saído da boca de Marina, hoje candidata ao Senado por
São Paulo no “time do Lula” e com o apoio do PT. Guarda incrível semelhança com
uma frase que ela sempre repete e virou praticamente um slogan dela (inclusive
quando foi candidata à Presidência):
“Quero um país que seja economicamente próspero, socialmente
justo, politicamente democrático, ambientalmente
sustentável e culturalmente diverso.”
Já Evair definiu o desenvolvimento sustentável como “economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto”.
Por esse ângulo, os dois poderiam
até ser bons colegas de bancada!
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