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Vitor Vogas

Evair diverge de Flávio sobre mudanças climáticas e meio ambiente

Candidato bolsonarista ao Senado exalta ciência, pesquisa científica, “boa informação” e práticas de desenvolvimento sustentável. “Não há ação do homem na Terra que não gere impacto.” Incrivelmente, discurso dele o aproxima mais de... Marina Silva

Publicado em 15 de Setembro de 2026 às 05:05

Públicado em 

15 set 2026 às 05:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sabatina CBN com Evair de Melo, candidato ao Senado Federal
Sabatina CBN com Evair de Melo, candidato ao Senado Federal Fernando Madeira

Em entrevista ao Jornal Nacional no dia 28 de agosto, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a exemplo do pai, manifestou visão negacionista em relação às mudanças climáticas. Evitou confirmar a existência do aquecimento global e atribuiu eventos climáticos extremos a ciclos naturais de calor e frio no Planeta Terra, sem admitir influência direta da ação humana.


Já na sabatina promovida na segunda-feira (14) por A Gazeta e CBN Vitória, o deputado federal Evair de Melo (Rep), um dos candidatos ao Senado apoiados por Jair Bolsonaro (PL), não chegou a dizer com todas as letras que “discorda” da visão de Flávio. Mas, instado a se posicionar sobre o tema, expressou um ponto de vista bastante diferente. Definitivamente não disse “Bolsonaro tem razão”.


Técnico agrícola por formação e presidente do Incaper antes de se tornar deputado federal, Evair deu uma resposta muito mais técnica e cientificista (e mais razoável, poderíamos acrescentar). 

Não há ação do homem sobre a Terra que não gere impacto. Por isso a ciência e a informação, para que possamos mitigar esse impacto: boas práticas agrícolas, obras com princípios de sustentabilidade... O homem nasceu, ele começa a gerar o impacto. 

Evair de Melo (Rep), candidato a senador

“O que nós temos que fazer [para mitigar tais impactos]? Conhecimento aplicado e boas práticas, e a ciência que é a resposta para que toda ação do homem, ou no interior, ou nas obras ou na cidade, ele possa mitigar esse impacto.”

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Evair apoiou Jair Bolsonaro para a Presidência em 2018 e 2022. Durante o governo do pai de Flávio, foi um dos seus vice-líderes na Câmara dos Deputados (onde está prestes a encerrar o terceiro mandato consecutivo). Agora, apoia Flávio para o Planalto e é candidato ao Senado pelo Republicanos, na mesma coligação do PL, a qual também tem a candidatura de Maguinha Malta (PL) ao Senado.


Evair deu uma resposta profundamente baseada na ciência, aliás, uma resposta exaltando a própria ciência e, acima de tudo, o conceito de desenvolvimento sustentável – no que também podemos considerar que ele destoa da família Bolsonaro. O ex-presidente nunca foi propriamente um defensor do meio ambiente. Em seu governo, a proteção ambiental nunca esteve exatamente no topo da lista de prioridades. Que o diga o então ministro Ricardo Salles...


“Sou filho de agricultores, técnico agrícola de formação, fui secretário municipal de Agricultura e de Meio Ambiente de Venda Nova do Imigrante, tive oportunidade de presidir o Incaper. Comecei a trabalhar o tema sustentabilidade, que fala: economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto. Então, eu estou a cavalheiro para falar desse tema, porque a minha vida está muito próxima a isso”, afirmou Evair, listando uma série de medidas tomadas por ele à frente do Incaper, lastreadas por pesquisa e evidências científicas.  

Portanto, eu sou defensor do meu histórico, da ciência, do acompanhamento, da boa informação, de práticas sustentáveis, que são minha formação. Esse é meu histórico. É claro que o senador Flávio talvez não tenha o conhecimento técnico tão aprofundado como eu tenho sobre esse tema. 

Evair de Melo (Rep), candidato a senador

“Portanto, no meu caso, como senador da República, eu vou trabalhar sempre numa defesa incondicional de práticas sustentáveis, pela minha formação, pela minha origem e naturalmente pela trajetória técnica que eu fiz, por exemplo, nos debates que fiz nas comissões.”


Evair ainda ressaltou a importância da universalização do saneamento básico no país.


“O maior poluidor do Brasil é o saneamento básico. Na Câmara, presidi a Comissão Especial do Saneamento Básico. Nós entregamos um marco fundamental: até 2032, nós vamos universalizar o saneamento básico no Brasil. Resultado disso: menor poluição dos nossos rios. Não há entrega mais sustentável do que essa que vamos fazer para os capixabas e para os brasileiros.”

Incrivelmente, fala de Evair o aproxima de... Marina Silva

Na Câmara dos Deputados, ao longo do atual mandato, em mais de uma audiência, Evair interpelou Marina Silva (Rede) e bateu de frente com a então ministra do Meio Ambiente.


Evair chegou a dizer que Marina era ideologicamente “adestrada”. No ápice da tensão entre eles, em audiência da Comissão de Agricultura da Câmara, no dia 2 de julho de 2025, o deputado disse para a então ministra que ela tinha “dificuldade com o agronegócio”, porque “nunca trabalhou”, e que se portava como “dona da verdade”. 


Querelas ideológicas à parte, o que chama imensamente a atenção nas respostas de Evair sobre mudanças climáticas e meio ambiente é que suas posições no tema o aproximam muito mais de... Marina Silva do que dos Bolsonaro.


Uma frase dita por ele para definir o conceito de “desenvolvimento sustentável” poderia ter saído da boca de Marina, hoje candidata ao Senado por São Paulo no “time do Lula” e com o apoio do PT. Guarda incrível semelhança com uma frase que ela sempre repete e virou praticamente um slogan dela (inclusive quando foi candidata à Presidência):


“Quero um país que seja economicamente próspero, socialmente justo, politicamente democrático, ambientalmente sustentável e culturalmente diverso.”


Já Evair definiu o desenvolvimento sustentável como economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto.


Por esse ângulo, os dois poderiam até ser bons colegas de bancada!

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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