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Eleições 2026

Mais de 400 mil eleitores do ES não são obrigados a votar; veja cidades com maior índice

O número equivale a 13,78% do eleitorado do Estado e, em relação às eleições gerais de 2022, há 59.475 pessoas a mais com voto facultativo

Publicado em 23 de Julho de 2026 às 15:14

Leticia Orlandi

Publicado em 

23 jul 2026 às 15:14
Número de eleitores do Espírito Santo cresceu nas Eleições 2026
Número de eleitores do Espírito Santo cresceu nas Eleições 2026 Arte AG

Dos quase 3 milhões de eleitores do Espírito Santo aptos a registrar o voto nas urnas no próximo dia 4 de outubro, mais de 400 mil não serão obrigados a comparecer às seções eleitorais. 


Para as Eleições 2026, estão registrados no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) 2.990.490 eleitores. Desse total, 412.370 têm voto facultativo. O número equivale a 13,78% do eleitorado do Estado e, em relação às eleições gerais de 2022, são 59.475 pessoas a mais que não são obrigadas a votar. Isso representa um aumento de 16,8%.


A parcela do eleitorado que tem voto facultativo é composta por adolescentes de 16 ou 17 anos, idosos com mais de 70 anos e analfabetos, de acordo com a Constituição Federal.


Alguns municípios do Espírito Santo têm um percentual de eleitores com voto facultativo que supera a média do Estado, chegando a 20% do eleitorado. É o caso de Afonso Cláudio e Mantenópolis, que têm 20% das pessoas com título de eleitor na cidade que não obrigadas a comparecer às urnas.


Bem próximos, na casa dos 19%, estão outros nove municípios: Barra de São Francisco, Apiacá, Pancas, Ecoporanga, Guaçuí, Água Doce do Norte, Nova Venécia, São José do Calçado e Ponto Belo (confira tabela completa abaixo).


Essa última, inclusive, é a única cidade do Espírito Santo que tem mais eleitores do que habitantes, no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral com os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.

Cresce número de idosos com voto facultativo

Ao observar o número de eleitores por faixa etária, o grupo que mais cresceu foi o de eleitores com 100 anos ou mais. Nas Eleições 2026, são 4.890, contra 2.101 em 2022, o que representa um aumento de 132,75%.


Outra alta expressiva foi registrada entre os eleitores de 75 a 79 anos, que tiveram alta de 36,68%, seguidos dos que têm entre 70 e 74 anos, com crescimento de 29,36%. Entre os idosos, a única faixa etária que teve retração foi entre 95 e 99 anos, com -0,59%. 


O aumento da população idosa nos últimos anos explica o crescimento expressivo de eleitores com voto facultativo em relação a 2018 (confira mais números abaixo).


Por outro lado, entre os adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor, houve redução. Em 2026 são 6.546 com 16 anos, contra 9.955 em 2022, uma queda de 34,24%. O grupo com 17 anos soma 13.756, ante 17.775 nas últimas eleições gerais, retração de 22,61%.

Na análise de Flávia Pellegrino, cientista política e diretora-executiva do Pacto pela Democracia, ainda é cedo para atribuir essa redução do número de adolescentes com título de eleitor a um único fator, mas há pelo menos dois elementos que podem ajudar a explicar esse cenário.


Segundo ela, o primeiro é uma mudança no próprio processo de emissão do título de eleitor. Em 2022, em razão das medidas adotadas durante a pandemia, era possível realizar toda a solicitação de forma digital, pelo aplicativo e pelo site da Justiça Eleitoral. Já neste ano, a conclusão do processo voltou a exigir comparecimento presencial ao cartório eleitoral, o que pode ter representado uma barreira adicional para parte dos jovens.


“Além disso, o contexto de 2022 foi bastante excepcional. Naquele momento, houve uma mobilização nacional muito intensa para incentivar a emissão do primeiro título de eleitor, especialmente entre adolescentes e jovens. Mobilização realizada de forma coordenada, inovadora e muito bem-sucedida por diversas organizações da sociedade civil, sendo o ponto de inflexão para que tivéssemos um recorde histórico de emissão de títulos entre jovens de 16 e 17 anos”, afirma.


Portanto, na avaliação da especialista, a redução observada em relação a 2022 não necessariamente indica um desinteresse maior dos jovens pela política ou pela participação eleitoral.

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