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Eleições 2026

O caminho do voto: como funciona urna eletrônica

Secretário de Tecnologia da Informação do TRE-ES explica, passo a passo, como funciona a votação, a contagem dos votos e por que o sistema é considerado seguro e transparente

Publicado em 03 de Agosto de 2026 às 10:38

Nicoly Reis

Publicado em 

03 ago 2026 às 10:38

Da chegada da urna à seção eleitoral até a divulgação do resultado, o voto passa por uma série de etapas que envolvem conferências, registros, auditorias e mecanismos de fiscalização. 


O processo foi desenvolvido para garantir a integridade da votação, preservar o sigilo do eleitor e permitir que o resultado seja acompanhado por partidos, órgãos de controle e pela própria sociedade, explica o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), Danilo Marchiori.


Assista ao vídeo acima e entenda como funciona o caminho do voto. Veja quais são os principais mecanismos de segurança adotados pela Justiça Eleitoral.

Tudo começa antes da chegada do primeiro eleitor

Antes da abertura da votação, o mesário liga a urna eletrônica e confere se o equipamento corresponde à seção eleitoral para a qual foi destinado. Em seguida, é emitida a chamada zerésima, um relatório que lista todos os candidatos registrados naquela urna e comprova que nenhum deles tem votos registrados naquele momento.


O documento é assinado pelos mesários e pode ser conferido pelos fiscais dos partidos. Depois, fica arquivado no cartório eleitoral como um dos registros oficiais da eleição.

Como o eleitor é habilitado para votar

A partir das 8 horas, a urna fica disponível para receber os votos. Quando o eleitor chega à seção, o mesário localiza seus dados e informa o número do título na urna. Depois de confirmar a identidade do eleitor, o próprio mesário registra sua identificação no equipamento antes de liberar a votação.


Segundo Marchiori, esse registro é mais um mecanismo de controle, pois permite saber qual mesário autorizou cada habilitação de eleitor, sem qualquer relação com o conteúdo do voto, que permanece secreto.

O caminho do voto dentro da urna

Nas eleições de 2026, o eleitor vota para seis cargos: deputado federal, deputado estadual, duas vagas para senador, governador e presidente da República. A cada número digitado, a urna exibe a foto, o nome e o partido do candidato para conferência antes da confirmação. Também é possível votar em branco ou corrigir um número antes de concluir cada etapa.


Marchiori chama atenção para um detalhe específico da disputa ao Senado. Como são duas vagas, o eleitor precisa escolher candidatos diferentes. Caso tente repetir o mesmo número no segundo voto, a urna identifica a situação e registra voto nulo para aquela vaga, caso a confirmação seja mantida.


Depois da confirmação do último cargo, o equipamento registra o voto e emite o tradicional sinal sonoro, indicando que a votação foi concluída e a urna está pronta para receber o próximo eleitor.

O que acontece quando a votação termina 

Após o encerramento da votação e depois que todos os eleitores presentes na fila votam, o mesário inicia o procedimento de fechamento da urna. Nesse momento, é gerado automaticamente o Boletim de Urna (BU), documento que reúne o resultado daquela seção eleitoral.


O boletim é impresso em várias vias. Uma delas é afixada na porta da seção para consulta pública, enquanto outras podem ser levadas pelos fiscais dos partidos e encaminhadas ao cartório eleitoral.


Segundo o secretário, esse procedimento garante que o resultado daquela urna se torne público antes mesmo da totalização feita pela Justiça Eleitoral.

Como se chega ao resultado 

Depois da emissão do boletim, o resultado também fica gravado em uma mídia digital retirada da urna e levada ao cartório eleitoral. Lá, os dados são transmitidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Marchiori destaca que essa transmissão não altera os votos registrados. Segundo ele, a totalização consiste apenas na soma dos boletins de urna já divulgados nas seções eleitorais.


"Na seção eleitoral, o resultado é conhecido antes de a Justiça Eleitoral divulgar", explica o secretário, ao destacar que, em municípios menores, candidatos muitas vezes já conseguem estimar o resultado da eleição apenas reunindo os boletins emitidos em cada seção.

Por que o voto é considerado seguro?

Indagado sobre como a Justiça Eleitoral garante o sigilo e a segurança do voto, Marchiori afirma que a proteção começa pelo software utilizado nas urnas. Segundo ele, os programas passam por inspeções e testes realizados por partidos políticos, Polícia Federal, Ministério Público, universidades e outras instituições que têm acesso ao código-fonte para fiscalização.


Além disso, ele cita outras etapas de transparência, como as cerimônias públicas de preparação das urnas, acompanhadas por representantes de partidos e órgãos de controle, e as auditorias realizadas no próprio dia da eleição.


Nessas auditorias, urnas são sorteadas e passam por uma votação controlada, com filmagem e fiscalização. Ao final, o resultado registrado no boletim é comparado com os votos depositados durante o teste.


Segundo Marchiori, esse procedimento ocorre desde 2002 e nunca apresentou divergências entre os votos registrados e o resultado emitido pela urna.

Urnas permanecem lacradas após a eleição

Após o encerramento do processo eleitoral, as urnas ficam armazenadas e lacradas por três meses. Segundo o secretário, esse período permite que qualquer suspeita envolvendo determinada seção seja investigada por meio de auditorias ou perícias, caso necessário.


Marchiori afirma ainda que os mecanismos de segurança são constantemente atualizados para acompanhar a evolução das ameaças digitais, tornando cada nova versão do sistema mais protegida que a anterior.

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