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Letícia Gonçalves

O pastor do PT que quer furar a bolha evangélica no ES

Religioso discursou em evento do Partido dos Trabalhadores e afirmou que "defender a família é defender o fim da escala 6 x 1". A maior parte dos evangélicos, entretanto, não tem simpatia pela candidatura de Lula

Publicado em 27 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

27 ago 2026 às 05:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Pastor Danilo Bicalho discursa durante evento do PT, em Vitória
Pastor Danilo Bicalho discursa durante evento do PT, em Vitória Letícia Gonçalves

Os eleitores evangélicos são frequentemente associados ao bolsonarismo, uma percepção reforçada por pesquisas de intenção de voto. A Quaest mostrou, em meados de agosto, que 43% dos religiosos de denominações evangélicas no país pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.


Lula (PT) alcança 24% das intenções nesse segmento. 

Não raro, integrantes da direita evangélica tentam enquadrar políticos ou apoiadores da esquerda como "falsos cristãos".

Nem sempre foi assim. O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, apoiou Lula em 2002 e 2006. 

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Pastores são presenças frequentes em eventos do PL, inclusive no Espírito Santo. Alguns fazem até as vezes de mestres de cerimônia dos atos políticos.

O PT, porém, também tem ao menos um.

Danilo Bicalho, pastor auxiliar da Igreja da Praia (antiga Igreja Batista da Praia do Canto), não chegou a coprotagonizar, mas discursou no lançamento das candidaturas de Helder Salomão ao governo, Fabiano Contarato ao Senado e outros petistas, no último sábado (22).

Lá, defendeu que ser cristão "é ser contra a escala 6x1", projeto em debate no Senado que pretende reduzir a carga de trabalho no país. 

Defender a família não é simplesmente vociferar pautas morais, mas é defender o direito do trabalhador de ter descanso, de ter tempo livre com a sua família

Danilo Bicalho Pastor evangélico


"É defender o fim da escala 6 por 1. É defender o acesso da juventude à educação de qualidade."

Bicalho é filiado ao PT há cinco anos. Não é candidato.

Em entrevista à coluna, o pastor criticou quem "instrumentaliza a fé".

"(Instrumentalizar) é dizer o seguinte, 'se você não votar no meu candidato, você vai para o inferno. Se você não votar no meu candidato, você não pode ser membro da minha igreja'. A gente viu isso acontecer em eleições passadas. Lideranças foram excluídas das igrejas às quais pertenciam porque não concordavam com um determinado candidato".

O PT, vez ou outra, tenta fazer um aceno ao eleitorado evangélico. Mas nem sempre dá certo.

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No lançamento oficial da candidatura à reeleição de Lula, por exemplo, uma apresentação musical causou certo furor.

A primeira-dama Janja da Silva cantou, no sábado, (22), no Estádio Moça Bonita, em Bangu, no Rio, a canção “Tapete Vermelho” ao lado do cantor gospel e pastor Kleber Lucas.

A ideia era agradar, certamente, mas soou como tática eleitoreira e de promoção da imagem da primeira-dama.

Lula é católico e, entre os católicos, alcança percentual de intenção de voto superior 47% contra 27% de Flávio Bolsonaro, de acordo com a Quaest.

Os católicos ainda são maioria no país. De acordo com o Censo do IBGE de 2022, 26,9% da população se declara evangélica; 56,7%, católica.

Mas os evangélicos, aparentemente, são mais organizados e engajados politicamente.

Seria possível inferir que isso ocorre devido à "instrumentalização" já criticada pelo pastor da igreja da Praia do Canto, mas isso seria reduzir muito a dimensão do voto evangélico.

Não é todo membro da igreja que vai votar cegamente no candidato indicado por um líder religioso.

As percepções e visões de mundo tendem a variar de acordo com a denominação (Batista, Assembleia de Deus, Presbiteriana, Universal, Internacional etc).

E há outros recortes importantes sobre o perfil do eleitor: escolaridade, faixa etária e classe social também influenciam.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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